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Saturday 21 October 2017, 12:59 am Respeita o xerife! Lucas Fonseca completará 150 jogos pelo Bahia Fora do campo, um cara reservado, de poucas palavras e certa aversão &agr...
Fora do campo, um cara reservado, de poucas palavras e certa aversão à imprensa. Dentro dele, não se inibe diante de nenhum adversário e, apesar de não ter sido formado nas divisões de base do clube, é uma das referências do Bahia pela identificação criada. No Ba-Vi de domingo (22), tipo de jogo em que ele geralmente se torna um dos principais personagens pelas polêmicas e provocações, Lucas Fonseca completará 150 jogos pelo tricolor. É a maior marca entre os atletas do atual elenco. Na sua terceira passagem pelo clube, pode-se dizer que Lucas já tem muita história para contar e foi o que ele fez em entrevista exclusiva ao CORREIO.

Como você descreve o período entre a sua primeira passagem pelo Bahia, em 2012, e agora? O que mudou?

Muita coisa mudou. Primeiramente, a cobrança, quando cheguei vindo de um time pequeno (Mogi Mirim) para um grande, era grande. Então, eu tinha que assimilar isso mais rápido. No momento, tinham jogadores experientes que me ajudaram bastante como Titi, Danny Morais, Fabinho, Zé Roberto, toda aquela turma daquela época. Foi um momento que me acolheram bem e eu me senti em casa. Com o passar dos anos, fui adquirindo experiência. Mesmo assim, em alguns momentos, a gente sabe que precisa aprender muito ainda.

Você é um cara reservado, até não gosta muito de dar entrevista. Algo te levou a ser assim ou é o seu jeito mesmo?

Eu procuro não falar muito para não dar margem para os outros falarem de mim. A gente já está numa situação de ser figura pública e, querendo ou não, o povo fala da gente. Então, para não dar muita brecha pra ficarem falando da gente, prefiro ficar na minha, fazer meu trabalho no dia a dia, e é pra isso que eu trabalho sério e me dedico ao máximo.

Com a sua família você também é assim? Como é o jogador Lucas Fonseca fora do campo?

Eu sou mineiro, minha família é toda de lá. Sou bem ligado a eles. Infelizmente, o preço do futebol é esse. Eu praticamente passo o ano todo aqui sozinho, em Salvador. Tenho minha namorada, mas minha família fica em Minhas. É um pouco difícil, e a gente acaba se acostumando. Já estou assim desde a época de faculdade antes de começar a jogar, faculdade de educação física. Então a gente sente falta, mas acostuma.

O que significa para você ser hoje o jogador do elenco com mais partidas pelo clube?

Nas outras entrevistas, sempre falei que nunca penso em metas, em números. Eu penso sempre em trabalhar ao máximo que eu puder para estar bem, dar o melhor de mim. E, como eu falei anteriormente, com o passar do tempo, adquiri experiência. Mesmo assim, em alguns momentos, a gente sabe que pode cometer erros, tá suscetível a isso. Então, tem que estar concentrado, focado e poder sempre fazer as coisas corretas.

Completar 150 jogos pelo Bahia em um Ba-Vi é especial?

Eu costumo tratar como mais um jogo. Independentemente de quem a gente vai enfrentar, temos que saber que do outro lado tem onze jogadores, que trabalham assim como a gente e querem vencer. Então, pela imprensa, pela torcida, sim, é um fato importante, porque vão ser 150 jogos, querendo ou não isso vai expor um pouco. Mas o fato de eu estar bem preparado e concentrado pode ser que ajude a minha equipe a vencer a partida.

Você jogou sete Ba-Vis pelo Bahia. Venceu três, empatou dois e perdeu dois. Considera uma marca boa?

Não costumo me apegar a números, resultados, essas coisas não. Procuro sempre ser profissional e ter performance. Para isso, no dia a dia tem quer trabalho e essas coisas de números, clássico, rivalidade... Para mim, rivalidade existe com todo adversário meu. Quando eu tiver em campo, seja contra A, B ou C eu vou dar o melhor de mim. Se tiver que provocar, vou provocar, se me provocar também eu aceito numa boa, vou provocar também. Futebol é isso, cara. É jogo.

Você lembra quantos gols já fez na carreira?

Rapaz, se eu não me engano tenho poucos gols. Devo ter três ou quatro, cara. Pelo Bahia, eu tenho um contra o Inter na Sul-Americana, um contra o Galícia e tenho dois no interior de São Paulo, pelo Lemense. Na época, era segunda divisão do Paulista.

Isso te incomoda de algum jeito?

Geralmente, o zagueiro que faz muitos gols acaba aparecendo mais, né? Mas, minha função primeiro é defender. Claro que a gente vai na área, muitas vezes converso com os companheiros. Eles sempre colocam os caras mais altos, bons cabeceadores para me marcar e eu procuro sempre tentar levar esse cara para um espaço vazio, para onde meus companheiros não vão, para a bola sobrar pra eles. Alguns jogos desse ano o Tiago fez gol, o Edson fez gol, justamente porque eu consegui levar o melhor marcador deles e deixei espaço para eles entrarem e cabecearem sozinhos.

Imagino que quando você consegue marcar seja uma festa...

Não... (risos) Até meus amigos da minha cidade brincam que se eu fizer um gol não vou saber nem comemorar que faz tanto tempo que eu não faço um gol (risos)...

No seu último retorno, você se desculpou pela forma que saiu em 2015, superou um desentendimento com o presidente Marcelo Sant’Ana. Mas de fato o que te fez ir embora naquele momento?

Primeiramente, sou muito grato ao Bahia por tudo que aconteceu na minha vida. É onde eu consegui ter visibilidade e aparecer para o futebol. Quando apareceu a proposta para eu sair daqui, para mim, pela idade que eu estava no momento, eu considerava meu auge e achei que era o momento ideal. No momento que o Marcelo chegou, foi o momento em que apareceu a proposta. Eu sabia que teria dificuldade de sair por questões de contrato e tudo. Em contrapartida também, nos outros vínculos com o Bahia, em 2012, eu já tive um problema contratual, que o clube não cumpriu, na diretoria anterior. Depois nos anos seguintes de 2013 e 2014 tinham algumas pendências. Inclusive fui falar com o presidente, com a parte financeira, jurídica, que tinha acabado de assumir e a gente achou que era melhor encerrar o vínculo. Eu, minha família, todos. E aí foi o momento até difícil, pois foi o clube que abriu as portas para mim, mas era uma coisa financeiramente muito boa, experiência de vida também e eu não podia perder aquele momento, pois não sabia se aconteceria de novo. Eu, naquele momento, estava até brincando com minha família, porque poxa, eu joguei 2012 e 2013 aqui, a gente não caiu, foi duro para caramba e não apareceu nada. Quando a gente cai, aparece. Futebol tem coisas que a gente tem que estar sempre preparado. Uma coisa que levei de lição naquele ano é que não podemos nunca desistir. Porque 2014 foi um ano muito difícil, tivemos muitos problemas políticos no Bahia, trocou muito diretor, presidente, comissão, teve muita mudança e acaba prejudicando o clube. Mesmo no primeiro semestre, eu praticamente não jogando, eu sempre fui dando meu melhor, trabalhando, pois sabia que na hora que precisasse seria solicitado e foi o que aconteceu. No segundo semestre, eu passei a jogar e foi quando os caras vieram para cá ver um jogo, para ver outro jogador e acabaram me vendo, gostaram de mim, começaram a acompanhar e vieram com uma proposta no começo de 2015.

E o que te fez voltar?

Como eu disse, tenho enorme gratidão pelo Bahia. Quando saí daqui, na minha concepção, também deixei as portas abertas. Não pelo que fiz, mas pela pessoa que fui aqui dentro. Sempre fui comprometido com o clube, nunca dei um problema extracampo. Teve essa situação com o presidente, o desgaste, mas foi sanado e a gente se entendeu. Eu entendi o lado dele e ele entendeu o meu. Posso ter agido errado de alguma forma em algum momento sim, já pedi desculpa, tentei me esclarecer. Infelizmente, a gente não pode falar muito, pois acaba se expondo. Naquele momento, eu saí como o errado da história. Eu sabia que em campo, nos treinos, tinha dado o meu melhor e sabia que, se algum dia houvesse oportunidade de voltar, eu voltaria feliz para dar o melhor de mim novamente.

Quando foi que você desenvolveu o lado “provocador” em campo?

Como eu disse, a gente vai para o campo e é rivalidade, independentemente se é time da capital ou de outra cidade. Dentro de campo, todo mundo quer vencer, seja lado A, seja lado B. Às vezes, as pessoas me marcam achando que só eu que provoco. Mas, dentro de campo, também os atacantes provocam e, às vezes, também batem. Dentro de campo, vale essas coisas, faz parte do futebol, não tem como tirar isso. E aí cabe no momento saber desequilibrar o adversário. Tem jogador que vem para fazer a mesma coisa, te tirar do sério e você acabar falhando. Algumas vezes a gente erra, outras acerta, mas o intuito de provocar o adversário é tirar ele do sério.

Te incomoda ser chamado de “chato”?

Isso aí estou acostumado já, todo jogo eles falam. Às vezes, a gente vai até trocar camisa e eles falam: “Pô, tá de sacanagem? Quer trocar camisa ainda (risos)?”

Depois do jogo contra o Flamengo pelo 1º turno, pela forma que foi expulso, você diminuiu as provocações?

Aquele jogo foi uma situação atípica. Fiquei até chateado comigo depois porque faltou um pouco mais de responsabilidade minha. Era um jogo importante pra gente, acabei prejudicando a equipe, o treinador da época, que era o Jorginho. Depois eu vi toda a situação sim. Era um momento em que eu estava com uma situação extracampo que devia ter assinalado com o técnico, pedido para não jogar. Entrei no campo desconcentrado, tanto que quando revi o jogo, vi quatro ou cinco situações que parecia que eu estava fora de mim. São situações que a gente aprende. Não adianta ter cinco ou 10 anos jogando. São situações que vão acontecer no dia a dia. Por isso, procuro sempre estar tranquilo, focado, entrar em campo sabendo o que fazer e deixar o resto fora. Agora, em questão de provocação, isso não muda nada. Como falei, o jogo do Flamengo foi atípico, eu estava desconcentrado por questões extracampo. Agora, se tiver que provocar vou provocar, e futebol vale essas coisas também.

Qual foi o seu pior momento em todas as passagens pelo Bahia?

Com certeza quando voltei da China. Tive muita dificuldade porque passei o ano todo lá e, no time que eu estava (Tianjin Teda), a parte física deixava muito a desejar, a parte técnica também um pouco. Então, voltei para cá praticamente há quatro meses parado depois do campeonato de lá, que acabou em outubro. Cheguei, e todo mundo depositando confiança que eu seria uma solução emergencial e, infelizmente, eu estava muito mal fisicamente. Tanto que sofri o ano todo, fui muito cobrado por isso, pois, dentro de campo, praticamente não estava rendendo nada. Eu tinha consciência disso, até falava com os treinadores na época que não estava me sentindo bem, estava sem força. E essas coisas acabam afetando em campo. Sempre que dava, Doriva tinha consciência disso, o próprio Guto e eles me ajudavam, me deixavam alguns jogos de fora. Depois chegaram Jackson e Tiago, que, graças a Deus, conseguiram entrosamento rápido e a gente conseguiu o acesso, porque os dois juntos formaram uma boa dupla. Isso foi bom porque eu procurei treinar mais. Sabia que poderia evoluir mais fisicamente e consequentemente ajudaria mais o time. Então, foi o que procurei fazer.

E o melhor momento?

Cara, meu melhor momento assim eu não sei. Ano de 2013, particularmente com Cristóvão (Borges) eu fui muito bem. Em 2014 também, o segundo semestre, mesmo a gente caindo, eu tive uma regularidade boa. Ano passado, fui muito abaixo, muito mesmo. Algumas coisas no futebol infelizmente acontecem, como a lesão do Jackson, e eu acabei entrando num jogo difícil na Copa do Brasil lá no Paraná e fui muito crucificado porque, querendo ou não, a gente falhou nos dois gols, a equipe toda. Mas, como eu era o cara que estava na jogada nos dois gols, fui crucificado por isso. Mesmo assim, sei que a vida de jogador é isso aí, vão apedrejar, criticar, vão procurar um sempre para crucificar. Mas, procurei sempre trabalhar porque sabia que uma hora ia afunilar e, na hora que o bicho pega, que a gente vê quem é quem. Então, desde aquele primeiro Ba-Vi que eu entrei no Baiano (dia 9 de abril), que estávamos perdendo por 2x0, ali para mim foi uma mudança nessa volta minha. Foi ali que parei pra pensar: ou agora vai ou não vai mais. Mesmo a gente perdendo aquele jogo, sei que entrei, dei o melhor de mim e a partir dali as coisas começaram a dar certo. Por questão de maturidade, performance, depois desses jogos chaves contra o Vitória, Sport, foi onde comecei a ter uma performance melhor.

Tem algum jogo que você tem um carinho especial?

Com certeza Bahia x Figueirense lá em Santa Catarina, 2012, foi meu primeiro jogo pelo Bahia. Titi estava suspenso, se não me engano, jogamos eu e Danny Morais na zaga e Danny, apesar de ter a mesma idade minha (32 anos), é um cara bem mais experiente que eu e, naquele momento, me acolheu, me deu bastante confiança, falou bastante comigo e pude ir para campo, consegui jogar bem, com confiança, graças a toda equipe.

Seu contrato encerra no final do ano. Permanecer e alcançar uma marca até maior é sua vontade?

Como eu disse, eu não me apego a marcas, números, essas coisas. O que me faz querer ficar, continuar no Bahia, é ver a evolução do clube. Quem está no dia a dia sabe. Eu, por exemplo, cheguei em 2012. O clube era um e hoje é outro. A torcida que tem o Bahia é linda, fanática, coisa bonita de se ver. Mas, em relação a renovação, o que posso fazer é trabalhar no dia a dia, dar o melhor de mim para dentro de campo, mostrar o meu valor e, consequentemente, cabe a diretor, comissão e presidente verem esse lado.

Qual foi o melhor parceiro de zaga que você teve no Bahia e em qual zagueiro você se espelha?

Difícil avaliar o melhor zagueiro que joguei aqui, porque futebol é momento. Tudo depende de esquema de equipe, tudo pode interferir. Em toda minha carreira, sempre joguei com excelentes zagueiros, companheiros que até hoje tenho amizade. Não quero eleger o melhor. Mais recentemente, quem eu gosto muito é Juan do Flamengo e Edu Dracena, que está no Palmeiras. Por ter o mesmo perfil, são caras reservados, de grupo, quando vão para o campo dão o melhor de si, se entregam. Citei eles pela questão técnica também, são jogadores muito técnicos, zagueiros experientes e é bonito de ver um zagueiro cortando dentro de campo. Às vezes, você olha o jogo e parece que eles não correm, mas é justamente por se posicionarem bem, cortam a jogada antes mesmo dela acontecer.

Qual seu sonho ou objetivo dentro do Bahia e na carreira?

Eu vivenciei este ano uma coisa que é maravilhosa, ser campeão da Copa do Nordeste foi muito gratificante. Naquele momento, nem caiu a ficha. Depois que foram passando os dias até comentei com meus amigos: “Pô, cara, que conquista foi essa?”. Às vezes a gente não tem noção do que é a torcida do Bahia. Precisa acontecer alguma coisa para a gente ver do que eles (torcedores) são capazes. A cada jogo, você vê que a torcida sempre surpreende a gente. Pela imensidão deles e do que são capazes, criatividade, tudo. Meu sonho é ganhar mais títulos aqui. Infelizmente, este ano a gente não tem condições de ser campeão brasileiro, temos consciência que a Série A é muito difícil e, como equipe, como entidade, tem muita coisa a evoluir, não depende só do Bahia, são muitos fatores. Tem até que dar os parabéns à questão administrativa do clube. Desde que cheguei aqui, tudo organizado, cumprido, não tem mais dor de cabeça como tinha antigamente por falta de profissionalismo.

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Fora do campo, um cara reservado, de poucas palavras e certa aversão à imprensa. Dentro dele, não se inibe diante de nenhum adversário e, apesar de não ter sido formado nas divisões de base do clube, é uma das referências do Bahia pela identificação criada. No Ba-Vi de domingo (22), tipo de jogo em que ele geralmente se torna um dos principais personagens pelas polêmicas e provocações, Lucas Fonseca completará 150 jogos pelo tricolor. É a maior marca entre os atletas do atual elenco. Na sua terceira passagem pelo clube, pode-se dizer que Lucas já tem muita história para contar e foi o que ele fez em entrevista exclusiva ao CORREIO.

Como você descreve o período entre a sua primeira passagem pelo Bahia, em 2012, e agora? O que mudou?

Muita coisa mudou. Primeiramente, a cobrança, quando cheguei vindo de um time pequeno (Mogi Mirim) para um grande, era grande. Então, eu tinha que assimilar isso mais rápido. No momento, tinham jogadores experientes que me ajudaram bastante como Titi, Danny Morais, Fabinho, Zé Roberto, toda aquela turma daquela época. Foi um momento que me acolheram bem e eu me senti em casa. Com o passar dos anos, fui adquirindo experiência. Mesmo assim, em alguns momentos, a gente sabe que precisa aprender muito ainda.

Você é um cara reservado, até não gosta muito de dar entrevista. Algo te levou a ser assim ou é o seu jeito mesmo?

Eu procuro não falar muito para não dar margem para os outros falarem de mim. A gente já está numa situação de ser figura pública e, querendo ou não, o povo fala da gente. Então, para não dar muita brecha pra ficarem falando da gente, prefiro ficar na minha, fazer meu trabalho no dia a dia, e é pra isso que eu trabalho sério e me dedico ao máximo.

Com a sua família você também é assim? Como é o jogador Lucas Fonseca fora do campo?

Eu sou mineiro, minha família é toda de lá. Sou bem ligado a eles. Infelizmente, o preço do futebol é esse. Eu praticamente passo o ano todo aqui sozinho, em Salvador. Tenho minha namorada, mas minha família fica em Minhas. É um pouco difícil, e a gente acaba se acostumando. Já estou assim desde a época de faculdade antes de começar a jogar, faculdade de educação física. Então a gente sente falta, mas acostuma.

O que significa para você ser hoje o jogador do elenco com mais partidas pelo clube?

Nas outras entrevistas, sempre falei que nunca penso em metas, em números. Eu penso sempre em trabalhar ao máximo que eu puder para estar bem, dar o melhor de mim. E, como eu falei anteriormente, com o passar do tempo, adquiri experiência. Mesmo assim, em alguns momentos, a gente sabe que pode cometer erros, tá suscetível a isso. Então, tem que estar concentrado, focado e poder sempre fazer as coisas corretas.

Completar 150 jogos pelo Bahia em um Ba-Vi é especial?

Eu costumo tratar como mais um jogo. Independentemente de quem a gente vai enfrentar, temos que saber que do outro lado tem onze jogadores, que trabalham assim como a gente e querem vencer. Então, pela imprensa, pela torcida, sim, é um fato importante, porque vão ser 150 jogos, querendo ou não isso vai expor um pouco. Mas o fato de eu estar bem preparado e concentrado pode ser que ajude a minha equipe a vencer a partida.

Você jogou sete Ba-Vis pelo Bahia. Venceu três, empatou dois e perdeu dois. Considera uma marca boa?

Não costumo me apegar a números, resultados, essas coisas não. Procuro sempre ser profissional e ter performance. Para isso, no dia a dia tem quer trabalho e essas coisas de números, clássico, rivalidade... Para mim, rivalidade existe com todo adversário meu. Quando eu tiver em campo, seja contra A, B ou C eu vou dar o melhor de mim. Se tiver que provocar, vou provocar, se me provocar também eu aceito numa boa, vou provocar também. Futebol é isso, cara. É jogo.

Você lembra quantos gols já fez na carreira?

Rapaz, se eu não me engano tenho poucos gols. Devo ter três ou quatro, cara. Pelo Bahia, eu tenho um contra o Inter na Sul-Americana, um contra o Galícia e tenho dois no interior de São Paulo, pelo Lemense. Na época, era segunda divisão do Paulista.

Isso te incomoda de algum jeito?

Geralmente, o zagueiro que faz muitos gols acaba aparecendo mais, né? Mas, minha função primeiro é defender. Claro que a gente vai na área, muitas vezes converso com os companheiros. Eles sempre colocam os caras mais altos, bons cabeceadores para me marcar e eu procuro sempre tentar levar esse cara para um espaço vazio, para onde meus companheiros não vão, para a bola sobrar pra eles. Alguns jogos desse ano o Tiago fez gol, o Edson fez gol, justamente porque eu consegui levar o melhor marcador deles e deixei espaço para eles entrarem e cabecearem sozinhos.

Imagino que quando você consegue marcar seja uma festa...

Não... (risos) Até meus amigos da minha cidade brincam que se eu fizer um gol não vou saber nem comemorar que faz tanto tempo que eu não faço um gol (risos)...

No seu último retorno, você se desculpou pela forma que saiu em 2015, superou um desentendimento com o presidente Marcelo Sant’Ana. Mas de fato o que te fez ir embora naquele momento?

Primeiramente, sou muito grato ao Bahia por tudo que aconteceu na minha vida. É onde eu consegui ter visibilidade e aparecer para o futebol. Quando apareceu a proposta para eu sair daqui, para mim, pela idade que eu estava no momento, eu considerava meu auge e achei que era o momento ideal. No momento que o Marcelo chegou, foi o momento em que apareceu a proposta. Eu sabia que teria dificuldade de sair por questões de contrato e tudo. Em contrapartida também, nos outros vínculos com o Bahia, em 2012, eu já tive um problema contratual, que o clube não cumpriu, na diretoria anterior. Depois nos anos seguintes de 2013 e 2014 tinham algumas pendências. Inclusive fui falar com o presidente, com a parte financeira, jurídica, que tinha acabado de assumir e a gente achou que era melhor encerrar o vínculo. Eu, minha família, todos. E aí foi o momento até difícil, pois foi o clube que abriu as portas para mim, mas era uma coisa financeiramente muito boa, experiência de vida também e eu não podia perder aquele momento, pois não sabia se aconteceria de novo. Eu, naquele momento, estava até brincando com minha família, porque poxa, eu joguei 2012 e 2013 aqui, a gente não caiu, foi duro para caramba e não apareceu nada. Quando a gente cai, aparece. Futebol tem coisas que a gente tem que estar sempre preparado. Uma coisa que levei de lição naquele ano é que não podemos nunca desistir. Porque 2014 foi um ano muito difícil, tivemos muitos problemas políticos no Bahia, trocou muito diretor, presidente, comissão, teve muita mudança e acaba prejudicando o clube. Mesmo no primeiro semestre, eu praticamente não jogando, eu sempre fui dando meu melhor, trabalhando, pois sabia que na hora que precisasse seria solicitado e foi o que aconteceu. No segundo semestre, eu passei a jogar e foi quando os caras vieram para cá ver um jogo, para ver outro jogador e acabaram me vendo, gostaram de mim, começaram a acompanhar e vieram com uma proposta no começo de 2015.

E o que te fez voltar?

Como eu disse, tenho enorme gratidão pelo Bahia. Quando saí daqui, na minha concepção, também deixei as portas abertas. Não pelo que fiz, mas pela pessoa que fui aqui dentro. Sempre fui comprometido com o clube, nunca dei um problema extracampo. Teve essa situação com o presidente, o desgaste, mas foi sanado e a gente se entendeu. Eu entendi o lado dele e ele entendeu o meu. Posso ter agido errado de alguma forma em algum momento sim, já pedi desculpa, tentei me esclarecer. Infelizmente, a gente não pode falar muito, pois acaba se expondo. Naquele momento, eu saí como o errado da história. Eu sabia que em campo, nos treinos, tinha dado o meu melhor e sabia que, se algum dia houvesse oportunidade de voltar, eu voltaria feliz para dar o melhor de mim novamente.

Quando foi que você desenvolveu o lado “provocador” em campo?

Como eu disse, a gente vai para o campo e é rivalidade, independentemente se é time da capital ou de outra cidade. Dentro de campo, todo mundo quer vencer, seja lado A, seja lado B. Às vezes, as pessoas me marcam achando que só eu que provoco. Mas, dentro de campo, também os atacantes provocam e, às vezes, também batem. Dentro de campo, vale essas coisas, faz parte do futebol, não tem como tirar isso. E aí cabe no momento saber desequilibrar o adversário. Tem jogador que vem para fazer a mesma coisa, te tirar do sério e você acabar falhando. Algumas vezes a gente erra, outras acerta, mas o intuito de provocar o adversário é tirar ele do sério.

Te incomoda ser chamado de “chato”?

Isso aí estou acostumado já, todo jogo eles falam. Às vezes, a gente vai até trocar camisa e eles falam: “Pô, tá de sacanagem? Quer trocar camisa ainda (risos)?”

Depois do jogo contra o Flamengo pelo 1º turno, pela forma que foi expulso, você diminuiu as provocações?

Aquele jogo foi uma situação atípica. Fiquei até chateado comigo depois porque faltou um pouco mais de responsabilidade minha. Era um jogo importante pra gente, acabei prejudicando a equipe, o treinador da época, que era o Jorginho. Depois eu vi toda a situação sim. Era um momento em que eu estava com uma situação extracampo que devia ter assinalado com o técnico, pedido para não jogar. Entrei no campo desconcentrado, tanto que quando revi o jogo, vi quatro ou cinco situações que parecia que eu estava fora de mim. São situações que a gente aprende. Não adianta ter cinco ou 10 anos jogando. São situações que vão acontecer no dia a dia. Por isso, procuro sempre estar tranquilo, focado, entrar em campo sabendo o que fazer e deixar o resto fora. Agora, em questão de provocação, isso não muda nada. Como falei, o jogo do Flamengo foi atípico, eu estava desconcentrado por questões extracampo. Agora, se tiver que provocar vou provocar, e futebol vale essas coisas também.

Qual foi o seu pior momento em todas as passagens pelo Bahia?

Com certeza quando voltei da China. Tive muita dificuldade porque passei o ano todo lá e, no time que eu estava (Tianjin Teda), a parte física deixava muito a desejar, a parte técnica também um pouco. Então, voltei para cá praticamente há quatro meses parado depois do campeonato de lá, que acabou em outubro. Cheguei, e todo mundo depositando confiança que eu seria uma solução emergencial e, infelizmente, eu estava muito mal fisicamente. Tanto que sofri o ano todo, fui muito cobrado por isso, pois, dentro de campo, praticamente não estava rendendo nada. Eu tinha consciência disso, até falava com os treinadores na época que não estava me sentindo bem, estava sem força. E essas coisas acabam afetando em campo. Sempre que dava, Doriva tinha consciência disso, o próprio Guto e eles me ajudavam, me deixavam alguns jogos de fora. Depois chegaram Jackson e Tiago, que, graças a Deus, conseguiram entrosamento rápido e a gente conseguiu o acesso, porque os dois juntos formaram uma boa dupla. Isso foi bom porque eu procurei treinar mais. Sabia que poderia evoluir mais fisicamente e consequentemente ajudaria mais o time. Então, foi o que procurei fazer.

E o melhor momento?

Cara, meu melhor momento assim eu não sei. Ano de 2013, particularmente com Cristóvão (Borges) eu fui muito bem. Em 2014 também, o segundo semestre, mesmo a gente caindo, eu tive uma regularidade boa. Ano passado, fui muito abaixo, muito mesmo. Algumas coisas no futebol infelizmente acontecem, como a lesão do Jackson, e eu acabei entrando num jogo difícil na Copa do Brasil lá no Paraná e fui muito crucificado porque, querendo ou não, a gente falhou nos dois gols, a equipe toda. Mas, como eu era o cara que estava na jogada nos dois gols, fui crucificado por isso. Mesmo assim, sei que a vida de jogador é isso aí, vão apedrejar, criticar, vão procurar um sempre para crucificar. Mas, procurei sempre trabalhar porque sabia que uma hora ia afunilar e, na hora que o bicho pega, que a gente vê quem é quem. Então, desde aquele primeiro Ba-Vi que eu entrei no Baiano (dia 9 de abril), que estávamos perdendo por 2x0, ali para mim foi uma mudança nessa volta minha. Foi ali que parei pra pensar: ou agora vai ou não vai mais. Mesmo a gente perdendo aquele jogo, sei que entrei, dei o melhor de mim e a partir dali as coisas começaram a dar certo. Por questão de maturidade, performance, depois desses jogos chaves contra o Vitória, Sport, foi onde comecei a ter uma performance melhor.

Tem algum jogo que você tem um carinho especial?

Com certeza Bahia x Figueirense lá em Santa Catarina, 2012, foi meu primeiro jogo pelo Bahia. Titi estava suspenso, se não me engano, jogamos eu e Danny Morais na zaga e Danny, apesar de ter a mesma idade minha (32 anos), é um cara bem mais experiente que eu e, naquele momento, me acolheu, me deu bastante confiança, falou bastante comigo e pude ir para campo, consegui jogar bem, com confiança, graças a toda equipe.

Seu contrato encerra no final do ano. Permanecer e alcançar uma marca até maior é sua vontade?

Como eu disse, eu não me apego a marcas, números, essas coisas. O que me faz querer ficar, continuar no Bahia, é ver a evolução do clube. Quem está no dia a dia sabe. Eu, por exemplo, cheguei em 2012. O clube era um e hoje é outro. A torcida que tem o Bahia é linda, fanática, coisa bonita de se ver. Mas, em relação a renovação, o que posso fazer é trabalhar no dia a dia, dar o melhor de mim para dentro de campo, mostrar o meu valor e, consequentemente, cabe a diretor, comissão e presidente verem esse lado.

Qual foi o melhor parceiro de zaga que você teve no Bahia e em qual zagueiro você se espelha?

Difícil avaliar o melhor zagueiro que joguei aqui, porque futebol é momento. Tudo depende de esquema de equipe, tudo pode interferir. Em toda minha carreira, sempre joguei com excelentes zagueiros, companheiros que até hoje tenho amizade. Não quero eleger o melhor. Mais recentemente, quem eu gosto muito é Juan do Flamengo e Edu Dracena, que está no Palmeiras. Por ter o mesmo perfil, são caras reservados, de grupo, quando vão para o campo dão o melhor de si, se entregam. Citei eles pela questão técnica também, são jogadores muito técnicos, zagueiros experientes e é bonito de ver um zagueiro cortando dentro de campo. Às vezes, você olha o jogo e parece que eles não correm, mas é justamente por se posicionarem bem, cortam a jogada antes mesmo dela acontecer.

Qual seu sonho ou objetivo dentro do Bahia e na carreira?

Eu vivenciei este ano uma coisa que é maravilhosa, ser campeão da Copa do Nordeste foi muito gratificante. Naquele momento, nem caiu a ficha. Depois que foram passando os dias até comentei com meus amigos: “Pô, cara, que conquista foi essa?”. Às vezes a gente não tem noção do que é a torcida do Bahia. Precisa acontecer alguma coisa para a gente ver do que eles (torcedores) são capazes. A cada jogo, você vê que a torcida sempre surpreende a gente. Pela imensidão deles e do que são capazes, criatividade, tudo. Meu sonho é ganhar mais títulos aqui. Infelizmente, este ano a gente não tem condições de ser campeão brasileiro, temos consciência que a Série A é muito difícil e, como equipe, como entidade, tem muita coisa a evoluir, não depende só do Bahia, são muitos fatores. Tem até que dar os parabéns à questão administrativa do clube. Desde que cheguei aqui, tudo organizado, cumprido, não tem mais dor de cabeça como tinha antigamente por falta de profissionalismo.

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Fora do campo, um cara reservado, de poucas palavras e certa aversão à imprensa. Dentro dele, não se inibe diante de nenhum adversário e, apesar de não ter sido formado nas divisões de base do clube, é uma das referências do Bahia pela identificação criada. No Ba-Vi de domingo (22), tipo de jogo em que ele geralmente se torna um dos principais personagens pelas polêmicas e provocações, Lucas Fonseca completará 150 jogos pelo tricolor. É a maior marca entre os atletas do atual elenco. Na sua terceira passagem pelo clube, pode-se dizer que Lucas já tem muita história para contar e foi o que ele fez em entrevista exclusiva ao CORREIO.

Como você descreve o período entre a sua primeira passagem pelo Bahia, em 2012, e agora? O que mudou?

Muita coisa mudou. Primeiramente, a cobrança, quando cheguei vindo de um time pequeno (Mogi Mirim) para um grande, era grande. Então, eu tinha que assimilar isso mais rápido. No momento, tinham jogadores experientes que me ajudaram bastante como Titi, Danny Morais, Fabinho, Zé Roberto, toda aquela turma daquela época. Foi um momento que me acolheram bem e eu me senti em casa. Com o passar dos anos, fui adquirindo experiência. Mesmo assim, em alguns momentos, a gente sabe que precisa aprender muito ainda.

Você é um cara reservado, até não gosta muito de dar entrevista. Algo te levou a ser assim ou é o seu jeito mesmo?

Eu procuro não falar muito para não dar margem para os outros falarem de mim. A gente já está numa situação de ser figura pública e, querendo ou não, o povo fala da gente. Então, para não dar muita brecha pra ficarem falando da gente, prefiro ficar na minha, fazer meu trabalho no dia a dia, e é pra isso que eu trabalho sério e me dedico ao máximo.

Com a sua família você também é assim? Como é o jogador Lucas Fonseca fora do campo?

Eu sou mineiro, minha família é toda de lá. Sou bem ligado a eles. Infelizmente, o preço do futebol é esse. Eu praticamente passo o ano todo aqui sozinho, em Salvador. Tenho minha namorada, mas minha família fica em Minhas. É um pouco difícil, e a gente acaba se acostumando. Já estou assim desde a época de faculdade antes de começar a jogar, faculdade de educação física. Então a gente sente falta, mas acostuma.

O que significa para você ser hoje o jogador do elenco com mais partidas pelo clube?

Nas outras entrevistas, sempre falei que nunca penso em metas, em números. Eu penso sempre em trabalhar ao máximo que eu puder para estar bem, dar o melhor de mim. E, como eu falei anteriormente, com o passar do tempo, adquiri experiência. Mesmo assim, em alguns momentos, a gente sabe que pode cometer erros, tá suscetível a isso. Então, tem que estar concentrado, focado e poder sempre fazer as coisas corretas.

Completar 150 jogos pelo Bahia em um Ba-Vi é especial?

Eu costumo tratar como mais um jogo. Independentemente de quem a gente vai enfrentar, temos que saber que do outro lado tem onze jogadores, que trabalham assim como a gente e querem vencer. Então, pela imprensa, pela torcida, sim, é um fato importante, porque vão ser 150 jogos, querendo ou não isso vai expor um pouco. Mas o fato de eu estar bem preparado e concentrado pode ser que ajude a minha equipe a vencer a partida.

Você jogou sete Ba-Vis pelo Bahia. Venceu três, empatou dois e perdeu dois. Considera uma marca boa?

Não costumo me apegar a números, resultados, essas coisas não. Procuro sempre ser profissional e ter performance. Para isso, no dia a dia tem quer trabalho e essas coisas de números, clássico, rivalidade... Para mim, rivalidade existe com todo adversário meu. Quando eu tiver em campo, seja contra A, B ou C eu vou dar o melhor de mim. Se tiver que provocar, vou provocar, se me provocar também eu aceito numa boa, vou provocar também. Futebol é isso, cara. É jogo.

Você lembra quantos gols já fez na carreira?

Rapaz, se eu não me engano tenho poucos gols. Devo ter três ou quatro, cara. Pelo Bahia, eu tenho um contra o Inter na Sul-Americana, um contra o Galícia e tenho dois no interior de São Paulo, pelo Lemense. Na época, era segunda divisão do Paulista.

Isso te incomoda de algum jeito?

Geralmente, o zagueiro que faz muitos gols acaba aparecendo mais, né? Mas, minha função primeiro é defender. Claro que a gente vai na área, muitas vezes converso com os companheiros. Eles sempre colocam os caras mais altos, bons cabeceadores para me marcar e eu procuro sempre tentar levar esse cara para um espaço vazio, para onde meus companheiros não vão, para a bola sobrar pra eles. Alguns jogos desse ano o Tiago fez gol, o Edson fez gol, justamente porque eu consegui levar o melhor marcador deles e deixei espaço para eles entrarem e cabecearem sozinhos.

Imagino que quando você consegue marcar seja uma festa...

Não... (risos) Até meus amigos da minha cidade brincam que se eu fizer um gol não vou saber nem comemorar que faz tanto tempo que eu não faço um gol (risos)...

No seu último retorno, você se desculpou pela forma que saiu em 2015, superou um desentendimento com o presidente Marcelo Sant’Ana. Mas de fato o que te fez ir embora naquele momento?

Primeiramente, sou muito grato ao Bahia por tudo que aconteceu na minha vida. É onde eu consegui ter visibilidade e aparecer para o futebol. Quando apareceu a proposta para eu sair daqui, para mim, pela idade que eu estava no momento, eu considerava meu auge e achei que era o momento ideal. No momento que o Marcelo chegou, foi o momento em que apareceu a proposta. Eu sabia que teria dificuldade de sair por questões de contrato e tudo. Em contrapartida também, nos outros vínculos com o Bahia, em 2012, eu já tive um problema contratual, que o clube não cumpriu, na diretoria anterior. Depois nos anos seguintes de 2013 e 2014 tinham algumas pendências. Inclusive fui falar com o presidente, com a parte financeira, jurídica, que tinha acabado de assumir e a gente achou que era melhor encerrar o vínculo. Eu, minha família, todos. E aí foi o momento até difícil, pois foi o clube que abriu as portas para mim, mas era uma coisa financeiramente muito boa, experiência de vida também e eu não podia perder aquele momento, pois não sabia se aconteceria de novo. Eu, naquele momento, estava até brincando com minha família, porque poxa, eu joguei 2012 e 2013 aqui, a gente não caiu, foi duro para caramba e não apareceu nada. Quando a gente cai, aparece. Futebol tem coisas que a gente tem que estar sempre preparado. Uma coisa que levei de lição naquele ano é que não podemos nunca desistir. Porque 2014 foi um ano muito difícil, tivemos muitos problemas políticos no Bahia, trocou muito diretor, presidente, comissão, teve muita mudança e acaba prejudicando o clube. Mesmo no primeiro semestre, eu praticamente não jogando, eu sempre fui dando meu melhor, trabalhando, pois sabia que na hora que precisasse seria solicitado e foi o que aconteceu. No segundo semestre, eu passei a jogar e foi quando os caras vieram para cá ver um jogo, para ver outro jogador e acabaram me vendo, gostaram de mim, começaram a acompanhar e vieram com uma proposta no começo de 2015.

E o que te fez voltar?

Como eu disse, tenho enorme gratidão pelo Bahia. Quando saí daqui, na minha concepção, também deixei as portas abertas. Não pelo que fiz, mas pela pessoa que fui aqui dentro. Sempre fui comprometido com o clube, nunca dei um problema extracampo. Teve essa situação com o presidente, o desgaste, mas foi sanado e a gente se entendeu. Eu entendi o lado dele e ele entendeu o meu. Posso ter agido errado de alguma forma em algum momento sim, já pedi desculpa, tentei me esclarecer. Infelizmente, a gente não pode falar muito, pois acaba se expondo. Naquele momento, eu saí como o errado da história. Eu sabia que em campo, nos treinos, tinha dado o meu melhor e sabia que, se algum dia houvesse oportunidade de voltar, eu voltaria feliz para dar o melhor de mim novamente.

Quando foi que você desenvolveu o lado “provocador” em campo?

Como eu disse, a gente vai para o campo e é rivalidade, independentemente se é time da capital ou de outra cidade. Dentro de campo, todo mundo quer vencer, seja lado A, seja lado B. Às vezes, as pessoas me marcam achando que só eu que provoco. Mas, dentro de campo, também os atacantes provocam e, às vezes, também batem. Dentro de campo, vale essas coisas, faz parte do futebol, não tem como tirar isso. E aí cabe no momento saber desequilibrar o adversário. Tem jogador que vem para fazer a mesma coisa, te tirar do sério e você acabar falhando. Algumas vezes a gente erra, outras acerta, mas o intuito de provocar o adversário é tirar ele do sério.

Te incomoda ser chamado de “chato”?

Isso aí estou acostumado já, todo jogo eles falam. Às vezes, a gente vai até trocar camisa e eles falam: “Pô, tá de sacanagem? Quer trocar camisa ainda (risos)?”

Depois do jogo contra o Flamengo pelo 1º turno, pela forma que foi expulso, você diminuiu as provocações?

Aquele jogo foi uma situação atípica. Fiquei até chateado comigo depois porque faltou um pouco mais de responsabilidade minha. Era um jogo importante pra gente, acabei prejudicando a equipe, o treinador da época, que era o Jorginho. Depois eu vi toda a situação sim. Era um momento em que eu estava com uma situação extracampo que devia ter assinalado com o técnico, pedido para não jogar. Entrei no campo desconcentrado, tanto que quando revi o jogo, vi quatro ou cinco situações que parecia que eu estava fora de mim. São situações que a gente aprende. Não adianta ter cinco ou 10 anos jogando. São situações que vão acontecer no dia a dia. Por isso, procuro sempre estar tranquilo, focado, entrar em campo sabendo o que fazer e deixar o resto fora. Agora, em questão de provocação, isso não muda nada. Como falei, o jogo do Flamengo foi atípico, eu estava desconcentrado por questões extracampo. Agora, se tiver que provocar vou provocar, e futebol vale essas coisas também.

Qual foi o seu pior momento em todas as passagens pelo Bahia?

Com certeza quando voltei da China. Tive muita dificuldade porque passei o ano todo lá e, no time que eu estava (Tianjin Teda), a parte física deixava muito a desejar, a parte técnica também um pouco. Então, voltei para cá praticamente há quatro meses parado depois do campeonato de lá, que acabou em outubro. Cheguei, e todo mundo depositando confiança que eu seria uma solução emergencial e, infelizmente, eu estava muito mal fisicamente. Tanto que sofri o ano todo, fui muito cobrado por isso, pois, dentro de campo, praticamente não estava rendendo nada. Eu tinha consciência disso, até falava com os treinadores na época que não estava me sentindo bem, estava sem força. E essas coisas acabam afetando em campo. Sempre que dava, Doriva tinha consciência disso, o próprio Guto e eles me ajudavam, me deixavam alguns jogos de fora. Depois chegaram Jackson e Tiago, que, graças a Deus, conseguiram entrosamento rápido e a gente conseguiu o acesso, porque os dois juntos formaram uma boa dupla. Isso foi bom porque eu procurei treinar mais. Sabia que poderia evoluir mais fisicamente e consequentemente ajudaria mais o time. Então, foi o que procurei fazer.

E o melhor momento?

Cara, meu melhor momento assim eu não sei. Ano de 2013, particularmente com Cristóvão (Borges) eu fui muito bem. Em 2014 também, o segundo semestre, mesmo a gente caindo, eu tive uma regularidade boa. Ano passado, fui muito abaixo, muito mesmo. Algumas coisas no futebol infelizmente acontecem, como a lesão do Jackson, e eu acabei entrando num jogo difícil na Copa do Brasil lá no Paraná e fui muito crucificado porque, querendo ou não, a gente falhou nos dois gols, a equipe toda. Mas, como eu era o cara que estava na jogada nos dois gols, fui crucificado por isso. Mesmo assim, sei que a vida de jogador é isso aí, vão apedrejar, criticar, vão procurar um sempre para crucificar. Mas, procurei sempre trabalhar porque sabia que uma hora ia afunilar e, na hora que o bicho pega, que a gente vê quem é quem. Então, desde aquele primeiro Ba-Vi que eu entrei no Baiano (dia 9 de abril), que estávamos perdendo por 2x0, ali para mim foi uma mudança nessa volta minha. Foi ali que parei pra pensar: ou agora vai ou não vai mais. Mesmo a gente perdendo aquele jogo, sei que entrei, dei o melhor de mim e a partir dali as coisas começaram a dar certo. Por questão de maturidade, performance, depois desses jogos chaves contra o Vitória, Sport, foi onde comecei a ter uma performance melhor.

Tem algum jogo que você tem um carinho especial?

Com certeza Bahia x Figueirense lá em Santa Catarina, 2012, foi meu primeiro jogo pelo Bahia. Titi estava suspenso, se não me engano, jogamos eu e Danny Morais na zaga e Danny, apesar de ter a mesma idade minha (32 anos), é um cara bem mais experiente que eu e, naquele momento, me acolheu, me deu bastante confiança, falou bastante comigo e pude ir para campo, consegui jogar bem, com confiança, graças a toda equipe.

Seu contrato encerra no final do ano. Permanecer e alcançar uma marca até maior é sua vontade?

Como eu disse, eu não me apego a marcas, números, essas coisas. O que me faz querer ficar, continuar no Bahia, é ver a evolução do clube. Quem está no dia a dia sabe. Eu, por exemplo, cheguei em 2012. O clube era um e hoje é outro. A torcida que tem o Bahia é linda, fanática, coisa bonita de se ver. Mas, em relação a renovação, o que posso fazer é trabalhar no dia a dia, dar o melhor de mim para dentro de campo, mostrar o meu valor e, consequentemente, cabe a diretor, comissão e presidente verem esse lado.

Qual foi o melhor parceiro de zaga que você teve no Bahia e em qual zagueiro você se espelha?

Difícil avaliar o melhor zagueiro que joguei aqui, porque futebol é momento. Tudo depende de esquema de equipe, tudo pode interferir. Em toda minha carreira, sempre joguei com excelentes zagueiros, companheiros que até hoje tenho amizade. Não quero eleger o melhor. Mais recentemente, quem eu gosto muito é Juan do Flamengo e Edu Dracena, que está no Palmeiras. Por ter o mesmo perfil, são caras reservados, de grupo, quando vão para o campo dão o melhor de si, se entregam. Citei eles pela questão técnica também, são jogadores muito técnicos, zagueiros experientes e é bonito de ver um zagueiro cortando dentro de campo. Às vezes, você olha o jogo e parece que eles não correm, mas é justamente por se posicionarem bem, cortam a jogada antes mesmo dela acontecer.

Qual seu sonho ou objetivo dentro do Bahia e na carreira?

Eu vivenciei este ano uma coisa que é maravilhosa, ser campeão da Copa do Nordeste foi muito gratificante. Naquele momento, nem caiu a ficha. Depois que foram passando os dias até comentei com meus amigos: “Pô, cara, que conquista foi essa?”. Às vezes a gente não tem noção do que é a torcida do Bahia. Precisa acontecer alguma coisa para a gente ver do que eles (torcedores) são capazes. A cada jogo, você vê que a torcida sempre surpreende a gente. Pela imensidão deles e do que são capazes, criatividade, tudo. Meu sonho é ganhar mais títulos aqui. Infelizmente, este ano a gente não tem condições de ser campeão brasileiro, temos consciência que a Série A é muito difícil e, como equipe, como entidade, tem muita coisa a evoluir, não depende só do Bahia, são muitos fatores. Tem até que dar os parabéns à questão administrativa do clube. Desde que cheguei aqui, tudo organizado, cumprido, não tem mais dor de cabeça como tinha antigamente por falta de profissionalismo.

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Fora do campo, um cara reservado, de poucas palavras e certa aversão à imprensa. Dentro dele, não se inibe diante de nenhum adversário e, apesar de não ter sido formado nas divisões de base do clube, é uma das referências do Bahia pela identificação criada. No Ba-Vi de domingo (22), tipo de jogo em que ele geralmente se torna um dos principais personagens pelas polêmicas e provocações, Lucas Fonseca completará 150 jogos pelo tricolor. É a maior marca entre os atletas do atual elenco. Na sua terceira passagem pelo clube, pode-se dizer que Lucas já tem muita história para contar e foi o que ele fez em entrevista exclusiva ao CORREIO.

Como você descreve o período entre a sua primeira passagem pelo Bahia, em 2012, e agora? O que mudou?

Muita coisa mudou. Primeiramente, a cobrança, quando cheguei vindo de um time pequeno (Mogi Mirim) para um grande, era grande. Então, eu tinha que assimilar isso mais rápido. No momento, tinham jogadores experientes que me ajudaram bastante como Titi, Danny Morais, Fabinho, Zé Roberto, toda aquela turma daquela época. Foi um momento que me acolheram bem e eu me senti em casa. Com o passar dos anos, fui adquirindo experiência. Mesmo assim, em alguns momentos, a gente sabe que precisa aprender muito ainda.

Você é um cara reservado, até não gosta muito de dar entrevista. Algo te levou a ser assim ou é o seu jeito mesmo?

Eu procuro não falar muito para não dar margem para os outros falarem de mim. A gente já está numa situação de ser figura pública e, querendo ou não, o povo fala da gente. Então, para não dar muita brecha pra ficarem falando da gente, prefiro ficar na minha, fazer meu trabalho no dia a dia, e é pra isso que eu trabalho sério e me dedico ao máximo.

Com a sua família você também é assim? Como é o jogador Lucas Fonseca fora do campo?

Eu sou mineiro, minha família é toda de lá. Sou bem ligado a eles. Infelizmente, o preço do futebol é esse. Eu praticamente passo o ano todo aqui sozinho, em Salvador. Tenho minha namorada, mas minha família fica em Minhas. É um pouco difícil, e a gente acaba se acostumando. Já estou assim desde a época de faculdade antes de começar a jogar, faculdade de educação física. Então a gente sente falta, mas acostuma.

O que significa para você ser hoje o jogador do elenco com mais partidas pelo clube?

Nas outras entrevistas, sempre falei que nunca penso em metas, em números. Eu penso sempre em trabalhar ao máximo que eu puder para estar bem, dar o melhor de mim. E, como eu falei anteriormente, com o passar do tempo, adquiri experiência. Mesmo assim, em alguns momentos, a gente sabe que pode cometer erros, tá suscetível a isso. Então, tem que estar concentrado, focado e poder sempre fazer as coisas corretas.

Completar 150 jogos pelo Bahia em um Ba-Vi é especial?

Eu costumo tratar como mais um jogo. Independentemente de quem a gente vai enfrentar, temos que saber que do outro lado tem onze jogadores, que trabalham assim como a gente e querem vencer. Então, pela imprensa, pela torcida, sim, é um fato importante, porque vão ser 150 jogos, querendo ou não isso vai expor um pouco. Mas o fato de eu estar bem preparado e concentrado pode ser que ajude a minha equipe a vencer a partida.

Você jogou sete Ba-Vis pelo Bahia. Venceu três, empatou dois e perdeu dois. Considera uma marca boa?

Não costumo me apegar a números, resultados, essas coisas não. Procuro sempre ser profissional e ter performance. Para isso, no dia a dia tem quer trabalho e essas coisas de números, clássico, rivalidade... Para mim, rivalidade existe com todo adversário meu. Quando eu tiver em campo, seja contra A, B ou C eu vou dar o melhor de mim. Se tiver que provocar, vou provocar, se me provocar também eu aceito numa boa, vou provocar também. Futebol é isso, cara. É jogo.

Você lembra quantos gols já fez na carreira?

Rapaz, se eu não me engano tenho poucos gols. Devo ter três ou quatro, cara. Pelo Bahia, eu tenho um contra o Inter na Sul-Americana, um contra o Galícia e tenho dois no interior de São Paulo, pelo Lemense. Na época, era segunda divisão do Paulista.

Isso te incomoda de algum jeito?

Geralmente, o zagueiro que faz muitos gols acaba aparecendo mais, né? Mas, minha função primeiro é defender. Claro que a gente vai na área, muitas vezes converso com os companheiros. Eles sempre colocam os caras mais altos, bons cabeceadores para me marcar e eu procuro sempre tentar levar esse cara para um espaço vazio, para onde meus companheiros não vão, para a bola sobrar pra eles. Alguns jogos desse ano o Tiago fez gol, o Edson fez gol, justamente porque eu consegui levar o melhor marcador deles e deixei espaço para eles entrarem e cabecearem sozinhos.

Imagino que quando você consegue marcar seja uma festa...

Não... (risos) Até meus amigos da minha cidade brincam que se eu fizer um gol não vou saber nem comemorar que faz tanto tempo que eu não faço um gol (risos)...

No seu último retorno, você se desculpou pela forma que saiu em 2015, superou um desentendimento com o presidente Marcelo Sant’Ana. Mas de fato o que te fez ir embora naquele momento?

Primeiramente, sou muito grato ao Bahia por tudo que aconteceu na minha vida. É onde eu consegui ter visibilidade e aparecer para o futebol. Quando apareceu a proposta para eu sair daqui, para mim, pela idade que eu estava no momento, eu considerava meu auge e achei que era o momento ideal. No momento que o Marcelo chegou, foi o momento em que apareceu a proposta. Eu sabia que teria dificuldade de sair por questões de contrato e tudo. Em contrapartida também, nos outros vínculos com o Bahia, em 2012, eu já tive um problema contratual, que o clube não cumpriu, na diretoria anterior. Depois nos anos seguintes de 2013 e 2014 tinham algumas pendências. Inclusive fui falar com o presidente, com a parte financeira, jurídica, que tinha acabado de assumir e a gente achou que era melhor encerrar o vínculo. Eu, minha família, todos. E aí foi o momento até difícil, pois foi o clube que abriu as portas para mim, mas era uma coisa financeiramente muito boa, experiência de vida também e eu não podia perder aquele momento, pois não sabia se aconteceria de novo. Eu, naquele momento, estava até brincando com minha família, porque poxa, eu joguei 2012 e 2013 aqui, a gente não caiu, foi duro para caramba e não apareceu nada. Quando a gente cai, aparece. Futebol tem coisas que a gente tem que estar sempre preparado. Uma coisa que levei de lição naquele ano é que não podemos nunca desistir. Porque 2014 foi um ano muito difícil, tivemos muitos problemas políticos no Bahia, trocou muito diretor, presidente, comissão, teve muita mudança e acaba prejudicando o clube. Mesmo no primeiro semestre, eu praticamente não jogando, eu sempre fui dando meu melhor, trabalhando, pois sabia que na hora que precisasse seria solicitado e foi o que aconteceu. No segundo semestre, eu passei a jogar e foi quando os caras vieram para cá ver um jogo, para ver outro jogador e acabaram me vendo, gostaram de mim, começaram a acompanhar e vieram com uma proposta no começo de 2015.

E o que te fez voltar?

Como eu disse, tenho enorme gratidão pelo Bahia. Quando saí daqui, na minha concepção, também deixei as portas abertas. Não pelo que fiz, mas pela pessoa que fui aqui dentro. Sempre fui comprometido com o clube, nunca dei um problema extracampo. Teve essa situação com o presidente, o desgaste, mas foi sanado e a gente se entendeu. Eu entendi o lado dele e ele entendeu o meu. Posso ter agido errado de alguma forma em algum momento sim, já pedi desculpa, tentei me esclarecer. Infelizmente, a gente não pode falar muito, pois acaba se expondo. Naquele momento, eu saí como o errado da história. Eu sabia que em campo, nos treinos, tinha dado o meu melhor e sabia que, se algum dia houvesse oportunidade de voltar, eu voltaria feliz para dar o melhor de mim novamente.

Quando foi que você desenvolveu o lado “provocador” em campo?

Como eu disse, a gente vai para o campo e é rivalidade, independentemente se é time da capital ou de outra cidade. Dentro de campo, todo mundo quer vencer, seja lado A, seja lado B. Às vezes, as pessoas me marcam achando que só eu que provoco. Mas, dentro de campo, também os atacantes provocam e, às vezes, também batem. Dentro de campo, vale essas coisas, faz parte do futebol, não tem como tirar isso. E aí cabe no momento saber desequilibrar o adversário. Tem jogador que vem para fazer a mesma coisa, te tirar do sério e você acabar falhando. Algumas vezes a gente erra, outras acerta, mas o intuito de provocar o adversário é tirar ele do sério.

Te incomoda ser chamado de “chato”?

Isso aí estou acostumado já, todo jogo eles falam. Às vezes, a gente vai até trocar camisa e eles falam: “Pô, tá de sacanagem? Quer trocar camisa ainda (risos)?”

Depois do jogo contra o Flamengo pelo 1º turno, pela forma que foi expulso, você diminuiu as provocações?

Aquele jogo foi uma situação atípica. Fiquei até chateado comigo depois porque faltou um pouco mais de responsabilidade minha. Era um jogo importante pra gente, acabei prejudicando a equipe, o treinador da época, que era o Jorginho. Depois eu vi toda a situação sim. Era um momento em que eu estava com uma situação extracampo que devia ter assinalado com o técnico, pedido para não jogar. Entrei no campo desconcentrado, tanto que quando revi o jogo, vi quatro ou cinco situações que parecia que eu estava fora de mim. São situações que a gente aprende. Não adianta ter cinco ou 10 anos jogando. São situações que vão acontecer no dia a dia. Por isso, procuro sempre estar tranquilo, focado, entrar em campo sabendo o que fazer e deixar o resto fora. Agora, em questão de provocação, isso não muda nada. Como falei, o jogo do Flamengo foi atípico, eu estava desconcentrado por questões extracampo. Agora, se tiver que provocar vou provocar, e futebol vale essas coisas também.

Qual foi o seu pior momento em todas as passagens pelo Bahia?

Com certeza quando voltei da China. Tive muita dificuldade porque passei o ano todo lá e, no time que eu estava (Tianjin Teda), a parte física deixava muito a desejar, a parte técnica também um pouco. Então, voltei para cá praticamente há quatro meses parado depois do campeonato de lá, que acabou em outubro. Cheguei, e todo mundo depositando confiança que eu seria uma solução emergencial e, infelizmente, eu estava muito mal fisicamente. Tanto que sofri o ano todo, fui muito cobrado por isso, pois, dentro de campo, praticamente não estava rendendo nada. Eu tinha consciência disso, até falava com os treinadores na época que não estava me sentindo bem, estava sem força. E essas coisas acabam afetando em campo. Sempre que dava, Doriva tinha consciência disso, o próprio Guto e eles me ajudavam, me deixavam alguns jogos de fora. Depois chegaram Jackson e Tiago, que, graças a Deus, conseguiram entrosamento rápido e a gente conseguiu o acesso, porque os dois juntos formaram uma boa dupla. Isso foi bom porque eu procurei treinar mais. Sabia que poderia evoluir mais fisicamente e consequentemente ajudaria mais o time. Então, foi o que procurei fazer.

E o melhor momento?

Cara, meu melhor momento assim eu não sei. Ano de 2013, particularmente com Cristóvão (Borges) eu fui muito bem. Em 2014 também, o segundo semestre, mesmo a gente caindo, eu tive uma regularidade boa. Ano passado, fui muito abaixo, muito mesmo. Algumas coisas no futebol infelizmente acontecem, como a lesão do Jackson, e eu acabei entrando num jogo difícil na Copa do Brasil lá no Paraná e fui muito crucificado porque, querendo ou não, a gente falhou nos dois gols, a equipe toda. Mas, como eu era o cara que estava na jogada nos dois gols, fui crucificado por isso. Mesmo assim, sei que a vida de jogador é isso aí, vão apedrejar, criticar, vão procurar um sempre para crucificar. Mas, procurei sempre trabalhar porque sabia que uma hora ia afunilar e, na hora que o bicho pega, que a gente vê quem é quem. Então, desde aquele primeiro Ba-Vi que eu entrei no Baiano (dia 9 de abril), que estávamos perdendo por 2x0, ali para mim foi uma mudança nessa volta minha. Foi ali que parei pra pensar: ou agora vai ou não vai mais. Mesmo a gente perdendo aquele jogo, sei que entrei, dei o melhor de mim e a partir dali as coisas começaram a dar certo. Por questão de maturidade, performance, depois desses jogos chaves contra o Vitória, Sport, foi onde comecei a ter uma performance melhor.

Tem algum jogo que você tem um carinho especial?

Com certeza Bahia x Figueirense lá em Santa Catarina, 2012, foi meu primeiro jogo pelo Bahia. Titi estava suspenso, se não me engano, jogamos eu e Danny Morais na zaga e Danny, apesar de ter a mesma idade minha (32 anos), é um cara bem mais experiente que eu e, naquele momento, me acolheu, me deu bastante confiança, falou bastante comigo e pude ir para campo, consegui jogar bem, com confiança, graças a toda equipe.

Seu contrato encerra no final do ano. Permanecer e alcançar uma marca até maior é sua vontade?

Como eu disse, eu não me apego a marcas, números, essas coisas. O que me faz querer ficar, continuar no Bahia, é ver a evolução do clube. Quem está no dia a dia sabe. Eu, por exemplo, cheguei em 2012. O clube era um e hoje é outro. A torcida que tem o Bahia é linda, fanática, coisa bonita de se ver. Mas, em relação a renovação, o que posso fazer é trabalhar no dia a dia, dar o melhor de mim para dentro de campo, mostrar o meu valor e, consequentemente, cabe a diretor, comissão e presidente verem esse lado.

Qual foi o melhor parceiro de zaga que você teve no Bahia e em qual zagueiro você se espelha?

Difícil avaliar o melhor zagueiro que joguei aqui, porque futebol é momento. Tudo depende de esquema de equipe, tudo pode interferir. Em toda minha carreira, sempre joguei com excelentes zagueiros, companheiros que até hoje tenho amizade. Não quero eleger o melhor. Mais recentemente, quem eu gosto muito é Juan do Flamengo e Edu Dracena, que está no Palmeiras. Por ter o mesmo perfil, são caras reservados, de grupo, quando vão para o campo dão o melhor de si, se entregam. Citei eles pela questão técnica também, são jogadores muito técnicos, zagueiros experientes e é bonito de ver um zagueiro cortando dentro de campo. Às vezes, você olha o jogo e parece que eles não correm, mas é justamente por se posicionarem bem, cortam a jogada antes mesmo dela acontecer.

Qual seu sonho ou objetivo dentro do Bahia e na carreira?

Eu vivenciei este ano uma coisa que é maravilhosa, ser campeão da Copa do Nordeste foi muito gratificante. Naquele momento, nem caiu a ficha. Depois que foram passando os dias até comentei com meus amigos: “Pô, cara, que conquista foi essa?”. Às vezes a gente não tem noção do que é a torcida do Bahia. Precisa acontecer alguma coisa para a gente ver do que eles (torcedores) são capazes. A cada jogo, você vê que a torcida sempre surpreende a gente. Pela imensidão deles e do que são capazes, criatividade, tudo. Meu sonho é ganhar mais títulos aqui. Infelizmente, este ano a gente não tem condições de ser campeão brasileiro, temos consciência que a Série A é muito difícil e, como equipe, como entidade, tem muita coisa a evoluir, não depende só do Bahia, são muitos fatores. Tem até que dar os parabéns à questão administrativa do clube. Desde que cheguei aqui, tudo organizado, cumprido, não tem mais dor de cabeça como tinha antigamente por falta de profissionalismo.

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Fora do campo, um cara reservado, de poucas palavras e certa aversão à imprensa. Dentro dele, não se inibe diante de nenhum adversário e, apesar de não ter sido formado nas divisões de base do clube, é uma das referências do Bahia pela identificação criada. No Ba-Vi de domingo (22), tipo de jogo em que ele geralmente se torna um dos principais personagens pelas polêmicas e provocações, Lucas Fonseca completará 150 jogos pelo tricolor. É a maior marca entre os atletas do atual elenco. Na sua terceira passagem pelo clube, pode-se dizer que Lucas já tem muita história para contar e foi o que ele fez em entrevista exclusiva ao CORREIO.

Como você descreve o período entre a sua primeira passagem pelo Bahia, em 2012, e agora? O que mudou?

Muita coisa mudou. Primeiramente, a cobrança, quando cheguei vindo de um time pequeno (Mogi Mirim) para um grande, era grande. Então, eu tinha que assimilar isso mais rápido. No momento, tinham jogadores experientes que me ajudaram bastante como Titi, Danny Morais, Fabinho, Zé Roberto, toda aquela turma daquela época. Foi um momento que me acolheram bem e eu me senti em casa. Com o passar dos anos, fui adquirindo experiência. Mesmo assim, em alguns momentos, a gente sabe que precisa aprender muito ainda.

Você é um cara reservado, até não gosta muito de dar entrevista. Algo te levou a ser assim ou é o seu jeito mesmo?

Eu procuro não falar muito para não dar margem para os outros falarem de mim. A gente já está numa situação de ser figura pública e, querendo ou não, o povo fala da gente. Então, para não dar muita brecha pra ficarem falando da gente, prefiro ficar na minha, fazer meu trabalho no dia a dia, e é pra isso que eu trabalho sério e me dedico ao máximo.

Com a sua família você também é assim? Como é o jogador Lucas Fonseca fora do campo?

Eu sou mineiro, minha família é toda de lá. Sou bem ligado a eles. Infelizmente, o preço do futebol é esse. Eu praticamente passo o ano todo aqui sozinho, em Salvador. Tenho minha namorada, mas minha família fica em Minhas. É um pouco difícil, e a gente acaba se acostumando. Já estou assim desde a época de faculdade antes de começar a jogar, faculdade de educação física. Então a gente sente falta, mas acostuma.

O que significa para você ser hoje o jogador do elenco com mais partidas pelo clube?

Nas outras entrevistas, sempre falei que nunca penso em metas, em números. Eu penso sempre em trabalhar ao máximo que eu puder para estar bem, dar o melhor de mim. E, como eu falei anteriormente, com o passar do tempo, adquiri experiência. Mesmo assim, em alguns momentos, a gente sabe que pode cometer erros, tá suscetível a isso. Então, tem que estar concentrado, focado e poder sempre fazer as coisas corretas.

Completar 150 jogos pelo Bahia em um Ba-Vi é especial?

Eu costumo tratar como mais um jogo. Independentemente de quem a gente vai enfrentar, temos que saber que do outro lado tem onze jogadores, que trabalham assim como a gente e querem vencer. Então, pela imprensa, pela torcida, sim, é um fato importante, porque vão ser 150 jogos, querendo ou não isso vai expor um pouco. Mas o fato de eu estar bem preparado e concentrado pode ser que ajude a minha equipe a vencer a partida.

Você jogou sete Ba-Vis pelo Bahia. Venceu três, empatou dois e perdeu dois. Considera uma marca boa?

Não costumo me apegar a números, resultados, essas coisas não. Procuro sempre ser profissional e ter performance. Para isso, no dia a dia tem quer trabalho e essas coisas de números, clássico, rivalidade... Para mim, rivalidade existe com todo adversário meu. Quando eu tiver em campo, seja contra A, B ou C eu vou dar o melhor de mim. Se tiver que provocar, vou provocar, se me provocar também eu aceito numa boa, vou provocar também. Futebol é isso, cara. É jogo.

Você lembra quantos gols já fez na carreira?

Rapaz, se eu não me engano tenho poucos gols. Devo ter três ou quatro, cara. Pelo Bahia, eu tenho um contra o Inter na Sul-Americana, um contra o Galícia e tenho dois no interior de São Paulo, pelo Lemense. Na época, era segunda divisão do Paulista.

Isso te incomoda de algum jeito?

Geralmente, o zagueiro que faz muitos gols acaba aparecendo mais, né? Mas, minha função primeiro é defender. Claro que a gente vai na área, muitas vezes converso com os companheiros. Eles sempre colocam os caras mais altos, bons cabeceadores para me marcar e eu procuro sempre tentar levar esse cara para um espaço vazio, para onde meus companheiros não vão, para a bola sobrar pra eles. Alguns jogos desse ano o Tiago fez gol, o Edson fez gol, justamente porque eu consegui levar o melhor marcador deles e deixei espaço para eles entrarem e cabecearem sozinhos.

Imagino que quando você consegue marcar seja uma festa...

Não... (risos) Até meus amigos da minha cidade brincam que se eu fizer um gol não vou saber nem comemorar que faz tanto tempo que eu não faço um gol (risos)...

No seu último retorno, você se desculpou pela forma que saiu em 2015, superou um desentendimento com o presidente Marcelo Sant’Ana. Mas de fato o que te fez ir embora naquele momento?

Primeiramente, sou muito grato ao Bahia por tudo que aconteceu na minha vida. É onde eu consegui ter visibilidade e aparecer para o futebol. Quando apareceu a proposta para eu sair daqui, para mim, pela idade que eu estava no momento, eu considerava meu auge e achei que era o momento ideal. No momento que o Marcelo chegou, foi o momento em que apareceu a proposta. Eu sabia que teria dificuldade de sair por questões de contrato e tudo. Em contrapartida também, nos outros vínculos com o Bahia, em 2012, eu já tive um problema contratual, que o clube não cumpriu, na diretoria anterior. Depois nos anos seguintes de 2013 e 2014 tinham algumas pendências. Inclusive fui falar com o presidente, com a parte financeira, jurídica, que tinha acabado de assumir e a gente achou que era melhor encerrar o vínculo. Eu, minha família, todos. E aí foi o momento até difícil, pois foi o clube que abriu as portas para mim, mas era uma coisa financeiramente muito boa, experiência de vida também e eu não podia perder aquele momento, pois não sabia se aconteceria de novo. Eu, naquele momento, estava até brincando com minha família, porque poxa, eu joguei 2012 e 2013 aqui, a gente não caiu, foi duro para caramba e não apareceu nada. Quando a gente cai, aparece. Futebol tem coisas que a gente tem que estar sempre preparado. Uma coisa que levei de lição naquele ano é que não podemos nunca desistir. Porque 2014 foi um ano muito difícil, tivemos muitos problemas políticos no Bahia, trocou muito diretor, presidente, comissão, teve muita mudança e acaba prejudicando o clube. Mesmo no primeiro semestre, eu praticamente não jogando, eu sempre fui dando meu melhor, trabalhando, pois sabia que na hora que precisasse seria solicitado e foi o que aconteceu. No segundo semestre, eu passei a jogar e foi quando os caras vieram para cá ver um jogo, para ver outro jogador e acabaram me vendo, gostaram de mim, começaram a acompanhar e vieram com uma proposta no começo de 2015.

E o que te fez voltar?

Como eu disse, tenho enorme gratidão pelo Bahia. Quando saí daqui, na minha concepção, também deixei as portas abertas. Não pelo que fiz, mas pela pessoa que fui aqui dentro. Sempre fui comprometido com o clube, nunca dei um problema extracampo. Teve essa situação com o presidente, o desgaste, mas foi sanado e a gente se entendeu. Eu entendi o lado dele e ele entendeu o meu. Posso ter agido errado de alguma forma em algum momento sim, já pedi desculpa, tentei me esclarecer. Infelizmente, a gente não pode falar muito, pois acaba se expondo. Naquele momento, eu saí como o errado da história. Eu sabia que em campo, nos treinos, tinha dado o meu melhor e sabia que, se algum dia houvesse oportunidade de voltar, eu voltaria feliz para dar o melhor de mim novamente.

Quando foi que você desenvolveu o lado “provocador” em campo?

Como eu disse, a gente vai para o campo e é rivalidade, independentemente se é time da capital ou de outra cidade. Dentro de campo, todo mundo quer vencer, seja lado A, seja lado B. Às vezes, as pessoas me marcam achando que só eu que provoco. Mas, dentro de campo, também os atacantes provocam e, às vezes, também batem. Dentro de campo, vale essas coisas, faz parte do futebol, não tem como tirar isso. E aí cabe no momento saber desequilibrar o adversário. Tem jogador que vem para fazer a mesma coisa, te tirar do sério e você acabar falhando. Algumas vezes a gente erra, outras acerta, mas o intuito de provocar o adversário é tirar ele do sério.

Te incomoda ser chamado de “chato”?

Isso aí estou acostumado já, todo jogo eles falam. Às vezes, a gente vai até trocar camisa e eles falam: “Pô, tá de sacanagem? Quer trocar camisa ainda (risos)?”

Depois do jogo contra o Flamengo pelo 1º turno, pela forma que foi expulso, você diminuiu as provocações?

Aquele jogo foi uma situação atípica. Fiquei até chateado comigo depois porque faltou um pouco mais de responsabilidade minha. Era um jogo importante pra gente, acabei prejudicando a equipe, o treinador da época, que era o Jorginho. Depois eu vi toda a situação sim. Era um momento em que eu estava com uma situação extracampo que devia ter assinalado com o técnico, pedido para não jogar. Entrei no campo desconcentrado, tanto que quando revi o jogo, vi quatro ou cinco situações que parecia que eu estava fora de mim. São situações que a gente aprende. Não adianta ter cinco ou 10 anos jogando. São situações que vão acontecer no dia a dia. Por isso, procuro sempre estar tranquilo, focado, entrar em campo sabendo o que fazer e deixar o resto fora. Agora, em questão de provocação, isso não muda nada. Como falei, o jogo do Flamengo foi atípico, eu estava desconcentrado por questões extracampo. Agora, se tiver que provocar vou provocar, e futebol vale essas coisas também.

Qual foi o seu pior momento em todas as passagens pelo Bahia?

Com certeza quando voltei da China. Tive muita dificuldade porque passei o ano todo lá e, no time que eu estava (Tianjin Teda), a parte física deixava muito a desejar, a parte técnica também um pouco. Então, voltei para cá praticamente há quatro meses parado depois do campeonato de lá, que acabou em outubro. Cheguei, e todo mundo depositando confiança que eu seria uma solução emergencial e, infelizmente, eu estava muito mal fisicamente. Tanto que sofri o ano todo, fui muito cobrado por isso, pois, dentro de campo, praticamente não estava rendendo nada. Eu tinha consciência disso, até falava com os treinadores na época que não estava me sentindo bem, estava sem força. E essas coisas acabam afetando em campo. Sempre que dava, Doriva tinha consciência disso, o próprio Guto e eles me ajudavam, me deixavam alguns jogos de fora. Depois chegaram Jackson e Tiago, que, graças a Deus, conseguiram entrosamento rápido e a gente conseguiu o acesso, porque os dois juntos formaram uma boa dupla. Isso foi bom porque eu procurei treinar mais. Sabia que poderia evoluir mais fisicamente e consequentemente ajudaria mais o time. Então, foi o que procurei fazer.

E o melhor momento?

Cara, meu melhor momento assim eu não sei. Ano de 2013, particularmente com Cristóvão (Borges) eu fui muito bem. Em 2014 também, o segundo semestre, mesmo a gente caindo, eu tive uma regularidade boa. Ano passado, fui muito abaixo, muito mesmo. Algumas coisas no futebol infelizmente acontecem, como a lesão do Jackson, e eu acabei entrando num jogo difícil na Copa do Brasil lá no Paraná e fui muito crucificado porque, querendo ou não, a gente falhou nos dois gols, a equipe toda. Mas, como eu era o cara que estava na jogada nos dois gols, fui crucificado por isso. Mesmo assim, sei que a vida de jogador é isso aí, vão apedrejar, criticar, vão procurar um sempre para crucificar. Mas, procurei sempre trabalhar porque sabia que uma hora ia afunilar e, na hora que o bicho pega, que a gente vê quem é quem. Então, desde aquele primeiro Ba-Vi que eu entrei no Baiano (dia 9 de abril), que estávamos perdendo por 2x0, ali para mim foi uma mudança nessa volta minha. Foi ali que parei pra pensar: ou agora vai ou não vai mais. Mesmo a gente perdendo aquele jogo, sei que entrei, dei o melhor de mim e a partir dali as coisas começaram a dar certo. Por questão de maturidade, performance, depois desses jogos chaves contra o Vitória, Sport, foi onde comecei a ter uma performance melhor.

Tem algum jogo que você tem um carinho especial?

Com certeza Bahia x Figueirense lá em Santa Catarina, 2012, foi meu primeiro jogo pelo Bahia. Titi estava suspenso, se não me engano, jogamos eu e Danny Morais na zaga e Danny, apesar de ter a mesma idade minha (32 anos), é um cara bem mais experiente que eu e, naquele momento, me acolheu, me deu bastante confiança, falou bastante comigo e pude ir para campo, consegui jogar bem, com confiança, graças a toda equipe.

Seu contrato encerra no final do ano. Permanecer e alcançar uma marca até maior é sua vontade?

Como eu disse, eu não me apego a marcas, números, essas coisas. O que me faz querer ficar, continuar no Bahia, é ver a evolução do clube. Quem está no dia a dia sabe. Eu, por exemplo, cheguei em 2012. O clube era um e hoje é outro. A torcida que tem o Bahia é linda, fanática, coisa bonita de se ver. Mas, em relação a renovação, o que posso fazer é trabalhar no dia a dia, dar o melhor de mim para dentro de campo, mostrar o meu valor e, consequentemente, cabe a diretor, comissão e presidente verem esse lado.

Qual foi o melhor parceiro de zaga que você teve no Bahia e em qual zagueiro você se espelha?

Difícil avaliar o melhor zagueiro que joguei aqui, porque futebol é momento. Tudo depende de esquema de equipe, tudo pode interferir. Em toda minha carreira, sempre joguei com excelentes zagueiros, companheiros que até hoje tenho amizade. Não quero eleger o melhor. Mais recentemente, quem eu gosto muito é Juan do Flamengo e Edu Dracena, que está no Palmeiras. Por ter o mesmo perfil, são caras reservados, de grupo, quando vão para o campo dão o melhor de si, se entregam. Citei eles pela questão técnica também, são jogadores muito técnicos, zagueiros experientes e é bonito de ver um zagueiro cortando dentro de campo. Às vezes, você olha o jogo e parece que eles não correm, mas é justamente por se posicionarem bem, cortam a jogada antes mesmo dela acontecer.

Qual seu sonho ou objetivo dentro do Bahia e na carreira?

Eu vivenciei este ano uma coisa que é maravilhosa, ser campeão da Copa do Nordeste foi muito gratificante. Naquele momento, nem caiu a ficha. Depois que foram passando os dias até comentei com meus amigos: “Pô, cara, que conquista foi essa?”. Às vezes a gente não tem noção do que é a torcida do Bahia. Precisa acontecer alguma coisa para a gente ver do que eles (torcedores) são capazes. A cada jogo, você vê que a torcida sempre surpreende a gente. Pela imensidão deles e do que são capazes, criatividade, tudo. Meu sonho é ganhar mais títulos aqui. Infelizmente, este ano a gente não tem condições de ser campeão brasileiro, temos consciência que a Série A é muito difícil e, como equipe, como entidade, tem muita coisa a evoluir, não depende só do Bahia, são muitos fatores. Tem até que dar os parabéns à questão administrativa do clube. Desde que cheguei aqui, tudo organizado, cumprido, não tem mais dor de cabeça como tinha antigamente por falta de profissionalismo.

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Fora do campo, um cara reservado, de poucas palavras e certa aversão à imprensa. Dentro dele, não se inibe diante de nenhum adversário e, apesar de não ter sido formado nas divisões de base do clube, é uma das referências do Bahia pela identificação criada. No Ba-Vi de domingo (22), tipo de jogo em que ele geralmente se torna um dos principais personagens pelas polêmicas e provocações, Lucas Fonseca completará 150 jogos pelo tricolor. É a maior marca entre os atletas do atual elenco. Na sua terceira passagem pelo clube, pode-se dizer que Lucas já tem muita história para contar e foi o que ele fez em entrevista exclusiva ao CORREIO.

Como você descreve o período entre a sua primeira passagem pelo Bahia, em 2012, e agora? O que mudou?

Muita coisa mudou. Primeiramente, a cobrança, quando cheguei vindo de um time pequeno (Mogi Mirim) para um grande, era grande. Então, eu tinha que assimilar isso mais rápido. No momento, tinham jogadores experientes que me ajudaram bastante como Titi, Danny Morais, Fabinho, Zé Roberto, toda aquela turma daquela época. Foi um momento que me acolheram bem e eu me senti em casa. Com o passar dos anos, fui adquirindo experiência. Mesmo assim, em alguns momentos, a gente sabe que precisa aprender muito ainda.

Você é um cara reservado, até não gosta muito de dar entrevista. Algo te levou a ser assim ou é o seu jeito mesmo?

Eu procuro não falar muito para não dar margem para os outros falarem de mim. A gente já está numa situação de ser figura pública e, querendo ou não, o povo fala da gente. Então, para não dar muita brecha pra ficarem falando da gente, prefiro ficar na minha, fazer meu trabalho no dia a dia, e é pra isso que eu trabalho sério e me dedico ao máximo.

Com a sua família você também é assim? Como é o jogador Lucas Fonseca fora do campo?

Eu sou mineiro, minha família é toda de lá. Sou bem ligado a eles. Infelizmente, o preço do futebol é esse. Eu praticamente passo o ano todo aqui sozinho, em Salvador. Tenho minha namorada, mas minha família fica em Minhas. É um pouco difícil, e a gente acaba se acostumando. Já estou assim desde a época de faculdade antes de começar a jogar, faculdade de educação física. Então a gente sente falta, mas acostuma.

O que significa para você ser hoje o jogador do elenco com mais partidas pelo clube?

Nas outras entrevistas, sempre falei que nunca penso em metas, em números. Eu penso sempre em trabalhar ao máximo que eu puder para estar bem, dar o melhor de mim. E, como eu falei anteriormente, com o passar do tempo, adquiri experiência. Mesmo assim, em alguns momentos, a gente sabe que pode cometer erros, tá suscetível a isso. Então, tem que estar concentrado, focado e poder sempre fazer as coisas corretas.

Completar 150 jogos pelo Bahia em um Ba-Vi é especial?

Eu costumo tratar como mais um jogo. Independentemente de quem a gente vai enfrentar, temos que saber que do outro lado tem onze jogadores, que trabalham assim como a gente e querem vencer. Então, pela imprensa, pela torcida, sim, é um fato importante, porque vão ser 150 jogos, querendo ou não isso vai expor um pouco. Mas o fato de eu estar bem preparado e concentrado pode ser que ajude a minha equipe a vencer a partida.

Você jogou sete Ba-Vis pelo Bahia. Venceu três, empatou dois e perdeu dois. Considera uma marca boa?

Não costumo me apegar a números, resultados, essas coisas não. Procuro sempre ser profissional e ter performance. Para isso, no dia a dia tem quer trabalho e essas coisas de números, clássico, rivalidade... Para mim, rivalidade existe com todo adversário meu. Quando eu tiver em campo, seja contra A, B ou C eu vou dar o melhor de mim. Se tiver que provocar, vou provocar, se me provocar também eu aceito numa boa, vou provocar também. Futebol é isso, cara. É jogo.

Você lembra quantos gols já fez na carreira?

Rapaz, se eu não me engano tenho poucos gols. Devo ter três ou quatro, cara. Pelo Bahia, eu tenho um contra o Inter na Sul-Americana, um contra o Galícia e tenho dois no interior de São Paulo, pelo Lemense. Na época, era segunda divisão do Paulista.

Isso te incomoda de algum jeito?

Geralmente, o zagueiro que faz muitos gols acaba aparecendo mais, né? Mas, minha função primeiro é defender. Claro que a gente vai na área, muitas vezes converso com os companheiros. Eles sempre colocam os caras mais altos, bons cabeceadores para me marcar e eu procuro sempre tentar levar esse cara para um espaço vazio, para onde meus companheiros não vão, para a bola sobrar pra eles. Alguns jogos desse ano o Tiago fez gol, o Edson fez gol, justamente porque eu consegui levar o melhor marcador deles e deixei espaço para eles entrarem e cabecearem sozinhos.

Imagino que quando você consegue marcar seja uma festa...

Não... (risos) Até meus amigos da minha cidade brincam que se eu fizer um gol não vou saber nem comemorar que faz tanto tempo que eu não faço um gol (risos)...

No seu último retorno, você se desculpou pela forma que saiu em 2015, superou um desentendimento com o presidente Marcelo Sant’Ana. Mas de fato o que te fez ir embora naquele momento?

Primeiramente, sou muito grato ao Bahia por tudo que aconteceu na minha vida. É onde eu consegui ter visibilidade e aparecer para o futebol. Quando apareceu a proposta para eu sair daqui, para mim, pela idade que eu estava no momento, eu considerava meu auge e achei que era o momento ideal. No momento que o Marcelo chegou, foi o momento em que apareceu a proposta. Eu sabia que teria dificuldade de sair por questões de contrato e tudo. Em contrapartida também, nos outros vínculos com o Bahia, em 2012, eu já tive um problema contratual, que o clube não cumpriu, na diretoria anterior. Depois nos anos seguintes de 2013 e 2014 tinham algumas pendências. Inclusive fui falar com o presidente, com a parte financeira, jurídica, que tinha acabado de assumir e a gente achou que era melhor encerrar o vínculo. Eu, minha família, todos. E aí foi o momento até difícil, pois foi o clube que abriu as portas para mim, mas era uma coisa financeiramente muito boa, experiência de vida também e eu não podia perder aquele momento, pois não sabia se aconteceria de novo. Eu, naquele momento, estava até brincando com minha família, porque poxa, eu joguei 2012 e 2013 aqui, a gente não caiu, foi duro para caramba e não apareceu nada. Quando a gente cai, aparece. Futebol tem coisas que a gente tem que estar sempre preparado. Uma coisa que levei de lição naquele ano é que não podemos nunca desistir. Porque 2014 foi um ano muito difícil, tivemos muitos problemas políticos no Bahia, trocou muito diretor, presidente, comissão, teve muita mudança e acaba prejudicando o clube. Mesmo no primeiro semestre, eu praticamente não jogando, eu sempre fui dando meu melhor, trabalhando, pois sabia que na hora que precisasse seria solicitado e foi o que aconteceu. No segundo semestre, eu passei a jogar e foi quando os caras vieram para cá ver um jogo, para ver outro jogador e acabaram me vendo, gostaram de mim, começaram a acompanhar e vieram com uma proposta no começo de 2015.

E o que te fez voltar?

Como eu disse, tenho enorme gratidão pelo Bahia. Quando saí daqui, na minha concepção, também deixei as portas abertas. Não pelo que fiz, mas pela pessoa que fui aqui dentro. Sempre fui comprometido com o clube, nunca dei um problema extracampo. Teve essa situação com o presidente, o desgaste, mas foi sanado e a gente se entendeu. Eu entendi o lado dele e ele entendeu o meu. Posso ter agido errado de alguma forma em algum momento sim, já pedi desculpa, tentei me esclarecer. Infelizmente, a gente não pode falar muito, pois acaba se expondo. Naquele momento, eu saí como o errado da história. Eu sabia que em campo, nos treinos, tinha dado o meu melhor e sabia que, se algum dia houvesse oportunidade de voltar, eu voltaria feliz para dar o melhor de mim novamente.

Quando foi que você desenvolveu o lado “provocador” em campo?

Como eu disse, a gente vai para o campo e é rivalidade, independentemente se é time da capital ou de outra cidade. Dentro de campo, todo mundo quer vencer, seja lado A, seja lado B. Às vezes, as pessoas me marcam achando que só eu que provoco. Mas, dentro de campo, também os atacantes provocam e, às vezes, também batem. Dentro de campo, vale essas coisas, faz parte do futebol, não tem como tirar isso. E aí cabe no momento saber desequilibrar o adversário. Tem jogador que vem para fazer a mesma coisa, te tirar do sério e você acabar falhando. Algumas vezes a gente erra, outras acerta, mas o intuito de provocar o adversário é tirar ele do sério.

Te incomoda ser chamado de “chato”?

Isso aí estou acostumado já, todo jogo eles falam. Às vezes, a gente vai até trocar camisa e eles falam: “Pô, tá de sacanagem? Quer trocar camisa ainda (risos)?”

Depois do jogo contra o Flamengo pelo 1º turno, pela forma que foi expulso, você diminuiu as provocações?

Aquele jogo foi uma situação atípica. Fiquei até chateado comigo depois porque faltou um pouco mais de responsabilidade minha. Era um jogo importante pra gente, acabei prejudicando a equipe, o treinador da época, que era o Jorginho. Depois eu vi toda a situação sim. Era um momento em que eu estava com uma situação extracampo que devia ter assinalado com o técnico, pedido para não jogar. Entrei no campo desconcentrado, tanto que quando revi o jogo, vi quatro ou cinco situações que parecia que eu estava fora de mim. São situações que a gente aprende. Não adianta ter cinco ou 10 anos jogando. São situações que vão acontecer no dia a dia. Por isso, procuro sempre estar tranquilo, focado, entrar em campo sabendo o que fazer e deixar o resto fora. Agora, em questão de provocação, isso não muda nada. Como falei, o jogo do Flamengo foi atípico, eu estava desconcentrado por questões extracampo. Agora, se tiver que provocar vou provocar, e futebol vale essas coisas também.

Qual foi o seu pior momento em todas as passagens pelo Bahia?

Com certeza quando voltei da China. Tive muita dificuldade porque passei o ano todo lá e, no time que eu estava (Tianjin Teda), a parte física deixava muito a desejar, a parte técnica também um pouco. Então, voltei para cá praticamente há quatro meses parado depois do campeonato de lá, que acabou em outubro. Cheguei, e todo mundo depositando confiança que eu seria uma solução emergencial e, infelizmente, eu estava muito mal fisicamente. Tanto que sofri o ano todo, fui muito cobrado por isso, pois, dentro de campo, praticamente não estava rendendo nada. Eu tinha consciência disso, até falava com os treinadores na época que não estava me sentindo bem, estava sem força. E essas coisas acabam afetando em campo. Sempre que dava, Doriva tinha consciência disso, o próprio Guto e eles me ajudavam, me deixavam alguns jogos de fora. Depois chegaram Jackson e Tiago, que, graças a Deus, conseguiram entrosamento rápido e a gente conseguiu o acesso, porque os dois juntos formaram uma boa dupla. Isso foi bom porque eu procurei treinar mais. Sabia que poderia evoluir mais fisicamente e consequentemente ajudaria mais o time. Então, foi o que procurei fazer.

E o melhor momento?

Cara, meu melhor momento assim eu não sei. Ano de 2013, particularmente com Cristóvão (Borges) eu fui muito bem. Em 2014 também, o segundo semestre, mesmo a gente caindo, eu tive uma regularidade boa. Ano passado, fui muito abaixo, muito mesmo. Algumas coisas no futebol infelizmente acontecem, como a lesão do Jackson, e eu acabei entrando num jogo difícil na Copa do Brasil lá no Paraná e fui muito crucificado porque, querendo ou não, a gente falhou nos dois gols, a equipe toda. Mas, como eu era o cara que estava na jogada nos dois gols, fui crucificado por isso. Mesmo assim, sei que a vida de jogador é isso aí, vão apedrejar, criticar, vão procurar um sempre para crucificar. Mas, procurei sempre trabalhar porque sabia que uma hora ia afunilar e, na hora que o bicho pega, que a gente vê quem é quem. Então, desde aquele primeiro Ba-Vi que eu entrei no Baiano (dia 9 de abril), que estávamos perdendo por 2x0, ali para mim foi uma mudança nessa volta minha. Foi ali que parei pra pensar: ou agora vai ou não vai mais. Mesmo a gente perdendo aquele jogo, sei que entrei, dei o melhor de mim e a partir dali as coisas começaram a dar certo. Por questão de maturidade, performance, depois desses jogos chaves contra o Vitória, Sport, foi onde comecei a ter uma performance melhor.

Tem algum jogo que você tem um carinho especial?

Com certeza Bahia x Figueirense lá em Santa Catarina, 2012, foi meu primeiro jogo pelo Bahia. Titi estava suspenso, se não me engano, jogamos eu e Danny Morais na zaga e Danny, apesar de ter a mesma idade minha (32 anos), é um cara bem mais experiente que eu e, naquele momento, me acolheu, me deu bastante confiança, falou bastante comigo e pude ir para campo, consegui jogar bem, com confiança, graças a toda equipe.

Seu contrato encerra no final do ano. Permanecer e alcançar uma marca até maior é sua vontade?

Como eu disse, eu não me apego a marcas, números, essas coisas. O que me faz querer ficar, continuar no Bahia, é ver a evolução do clube. Quem está no dia a dia sabe. Eu, por exemplo, cheguei em 2012. O clube era um e hoje é outro. A torcida que tem o Bahia é linda, fanática, coisa bonita de se ver. Mas, em relação a renovação, o que posso fazer é trabalhar no dia a dia, dar o melhor de mim para dentro de campo, mostrar o meu valor e, consequentemente, cabe a diretor, comissão e presidente verem esse lado.

Qual foi o melhor parceiro de zaga que você teve no Bahia e em qual zagueiro você se espelha?

Difícil avaliar o melhor zagueiro que joguei aqui, porque futebol é momento. Tudo depende de esquema de equipe, tudo pode interferir. Em toda minha carreira, sempre joguei com excelentes zagueiros, companheiros que até hoje tenho amizade. Não quero eleger o melhor. Mais recentemente, quem eu gosto muito é Juan do Flamengo e Edu Dracena, que está no Palmeiras. Por ter o mesmo perfil, são caras reservados, de grupo, quando vão para o campo dão o melhor de si, se entregam. Citei eles pela questão técnica também, são jogadores muito técnicos, zagueiros experientes e é bonito de ver um zagueiro cortando dentro de campo. Às vezes, você olha o jogo e parece que eles não correm, mas é justamente por se posicionarem bem, cortam a jogada antes mesmo dela acontecer.

Qual seu sonho ou objetivo dentro do Bahia e na carreira?

Eu vivenciei este ano uma coisa que é maravilhosa, ser campeão da Copa do Nordeste foi muito gratificante. Naquele momento, nem caiu a ficha. Depois que foram passando os dias até comentei com meus amigos: “Pô, cara, que conquista foi essa?”. Às vezes a gente não tem noção do que é a torcida do Bahia. Precisa acontecer alguma coisa para a gente ver do que eles (torcedores) são capazes. A cada jogo, você vê que a torcida sempre surpreende a gente. Pela imensidão deles e do que são capazes, criatividade, tudo. Meu sonho é ganhar mais títulos aqui. Infelizmente, este ano a gente não tem condições de ser campeão brasileiro, temos consciência que a Série A é muito difícil e, como equipe, como entidade, tem muita coisa a evoluir, não depende só do Bahia, são muitos fatores. Tem até que dar os parabéns à questão administrativa do clube. Desde que cheguei aqui, tudo organizado, cumprido, não tem mais dor de cabeça como tinha antigamente por falta de profissionalismo.

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Fora do campo, um cara reservado, de poucas palavras e certa aversão à imprensa. Dentro dele, não se inibe diante de nenhum adversário e, apesar de não ter sido formado nas divisões de base do clube, é uma das referências do Bahia pela identificação criada. No Ba-Vi de domingo (22), tipo de jogo em que ele geralmente se torna um dos principais personagens pelas polêmicas e provocações, Lucas Fonseca completará 150 jogos pelo tricolor. É a maior marca entre os atletas do atual elenco. Na sua terceira passagem pelo clube, pode-se dizer que Lucas já tem muita história para contar e foi o que ele fez em entrevista exclusiva ao CORREIO.

Como você descreve o período entre a sua primeira passagem pelo Bahia, em 2012, e agora? O que mudou?

Muita coisa mudou. Primeiramente, a cobrança, quando cheguei vindo de um time pequeno (Mogi Mirim) para um grande, era grande. Então, eu tinha que assimilar isso mais rápido. No momento, tinham jogadores experientes que me ajudaram bastante como Titi, Danny Morais, Fabinho, Zé Roberto, toda aquela turma daquela época. Foi um momento que me acolheram bem e eu me senti em casa. Com o passar dos anos, fui adquirindo experiência. Mesmo assim, em alguns momentos, a gente sabe que precisa aprender muito ainda.

Você é um cara reservado, até não gosta muito de dar entrevista. Algo te levou a ser assim ou é o seu jeito mesmo?

Eu procuro não falar muito para não dar margem para os outros falarem de mim. A gente já está numa situação de ser figura pública e, querendo ou não, o povo fala da gente. Então, para não dar muita brecha pra ficarem falando da gente, prefiro ficar na minha, fazer meu trabalho no dia a dia, e é pra isso que eu trabalho sério e me dedico ao máximo.

Com a sua família você também é assim? Como é o jogador Lucas Fonseca fora do campo?

Eu sou mineiro, minha família é toda de lá. Sou bem ligado a eles. Infelizmente, o preço do futebol é esse. Eu praticamente passo o ano todo aqui sozinho, em Salvador. Tenho minha namorada, mas minha família fica em Minhas. É um pouco difícil, e a gente acaba se acostumando. Já estou assim desde a época de faculdade antes de começar a jogar, faculdade de educação física. Então a gente sente falta, mas acostuma.

O que significa para você ser hoje o jogador do elenco com mais partidas pelo clube?

Nas outras entrevistas, sempre falei que nunca penso em metas, em números. Eu penso sempre em trabalhar ao máximo que eu puder para estar bem, dar o melhor de mim. E, como eu falei anteriormente, com o passar do tempo, adquiri experiência. Mesmo assim, em alguns momentos, a gente sabe que pode cometer erros, tá suscetível a isso. Então, tem que estar concentrado, focado e poder sempre fazer as coisas corretas.

Completar 150 jogos pelo Bahia em um Ba-Vi é especial?

Eu costumo tratar como mais um jogo. Independentemente de quem a gente vai enfrentar, temos que saber que do outro lado tem onze jogadores, que trabalham assim como a gente e querem vencer. Então, pela imprensa, pela torcida, sim, é um fato importante, porque vão ser 150 jogos, querendo ou não isso vai expor um pouco. Mas o fato de eu estar bem preparado e concentrado pode ser que ajude a minha equipe a vencer a partida.

Você jogou sete Ba-Vis pelo Bahia. Venceu três, empatou dois e perdeu dois. Considera uma marca boa?

Não costumo me apegar a números, resultados, essas coisas não. Procuro sempre ser profissional e ter performance. Para isso, no dia a dia tem quer trabalho e essas coisas de números, clássico, rivalidade... Para mim, rivalidade existe com todo adversário meu. Quando eu tiver em campo, seja contra A, B ou C eu vou dar o melhor de mim. Se tiver que provocar, vou provocar, se me provocar também eu aceito numa boa, vou provocar também. Futebol é isso, cara. É jogo.

Você lembra quantos gols já fez na carreira?

Rapaz, se eu não me engano tenho poucos gols. Devo ter três ou quatro, cara. Pelo Bahia, eu tenho um contra o Inter na Sul-Americana, um contra o Galícia e tenho dois no interior de São Paulo, pelo Lemense. Na época, era segunda divisão do Paulista.

Isso te incomoda de algum jeito?

Geralmente, o zagueiro que faz muitos gols acaba aparecendo mais, né? Mas, minha função primeiro é defender. Claro que a gente vai na área, muitas vezes converso com os companheiros. Eles sempre colocam os caras mais altos, bons cabeceadores para me marcar e eu procuro sempre tentar levar esse cara para um espaço vazio, para onde meus companheiros não vão, para a bola sobrar pra eles. Alguns jogos desse ano o Tiago fez gol, o Edson fez gol, justamente porque eu consegui levar o melhor marcador deles e deixei espaço para eles entrarem e cabecearem sozinhos.

Imagino que quando você consegue marcar seja uma festa...

Não... (risos) Até meus amigos da minha cidade brincam que se eu fizer um gol não vou saber nem comemorar que faz tanto tempo que eu não faço um gol (risos)...

No seu último retorno, você se desculpou pela forma que saiu em 2015, superou um desentendimento com o presidente Marcelo Sant’Ana. Mas de fato o que te fez ir embora naquele momento?

Primeiramente, sou muito grato ao Bahia por tudo que aconteceu na minha vida. É onde eu consegui ter visibilidade e aparecer para o futebol. Quando apareceu a proposta para eu sair daqui, para mim, pela idade que eu estava no momento, eu considerava meu auge e achei que era o momento ideal. No momento que o Marcelo chegou, foi o momento em que apareceu a proposta. Eu sabia que teria dificuldade de sair por questões de contrato e tudo. Em contrapartida também, nos outros vínculos com o Bahia, em 2012, eu já tive um problema contratual, que o clube não cumpriu, na diretoria anterior. Depois nos anos seguintes de 2013 e 2014 tinham algumas pendências. Inclusive fui falar com o presidente, com a parte financeira, jurídica, que tinha acabado de assumir e a gente achou que era melhor encerrar o vínculo. Eu, minha família, todos. E aí foi o momento até difícil, pois foi o clube que abriu as portas para mim, mas era uma coisa financeiramente muito boa, experiência de vida também e eu não podia perder aquele momento, pois não sabia se aconteceria de novo. Eu, naquele momento, estava até brincando com minha família, porque poxa, eu joguei 2012 e 2013 aqui, a gente não caiu, foi duro para caramba e não apareceu nada. Quando a gente cai, aparece. Futebol tem coisas que a gente tem que estar sempre preparado. Uma coisa que levei de lição naquele ano é que não podemos nunca desistir. Porque 2014 foi um ano muito difícil, tivemos muitos problemas políticos no Bahia, trocou muito diretor, presidente, comissão, teve muita mudança e acaba prejudicando o clube. Mesmo no primeiro semestre, eu praticamente não jogando, eu sempre fui dando meu melhor, trabalhando, pois sabia que na hora que precisasse seria solicitado e foi o que aconteceu. No segundo semestre, eu passei a jogar e foi quando os caras vieram para cá ver um jogo, para ver outro jogador e acabaram me vendo, gostaram de mim, começaram a acompanhar e vieram com uma proposta no começo de 2015.

E o que te fez voltar?

Como eu disse, tenho enorme gratidão pelo Bahia. Quando saí daqui, na minha concepção, também deixei as portas abertas. Não pelo que fiz, mas pela pessoa que fui aqui dentro. Sempre fui comprometido com o clube, nunca dei um problema extracampo. Teve essa situação com o presidente, o desgaste, mas foi sanado e a gente se entendeu. Eu entendi o lado dele e ele entendeu o meu. Posso ter agido errado de alguma forma em algum momento sim, já pedi desculpa, tentei me esclarecer. Infelizmente, a gente não pode falar muito, pois acaba se expondo. Naquele momento, eu saí como o errado da história. Eu sabia que em campo, nos treinos, tinha dado o meu melhor e sabia que, se algum dia houvesse oportunidade de voltar, eu voltaria feliz para dar o melhor de mim novamente.

Quando foi que você desenvolveu o lado “provocador” em campo?

Como eu disse, a gente vai para o campo e é rivalidade, independentemente se é time da capital ou de outra cidade. Dentro de campo, todo mundo quer vencer, seja lado A, seja lado B. Às vezes, as pessoas me marcam achando que só eu que provoco. Mas, dentro de campo, também os atacantes provocam e, às vezes, também batem. Dentro de campo, vale essas coisas, faz parte do futebol, não tem como tirar isso. E aí cabe no momento saber desequilibrar o adversário. Tem jogador que vem para fazer a mesma coisa, te tirar do sério e você acabar falhando. Algumas vezes a gente erra, outras acerta, mas o intuito de provocar o adversário é tirar ele do sério.

Te incomoda ser chamado de “chato”?

Isso aí estou acostumado já, todo jogo eles falam. Às vezes, a gente vai até trocar camisa e eles falam: “Pô, tá de sacanagem? Quer trocar camisa ainda (risos)?”

Depois do jogo contra o Flamengo pelo 1º turno, pela forma que foi expulso, você diminuiu as provocações?

Aquele jogo foi uma situação atípica. Fiquei até chateado comigo depois porque faltou um pouco mais de responsabilidade minha. Era um jogo importante pra gente, acabei prejudicando a equipe, o treinador da época, que era o Jorginho. Depois eu vi toda a situação sim. Era um momento em que eu estava com uma situação extracampo que devia ter assinalado com o técnico, pedido para não jogar. Entrei no campo desconcentrado, tanto que quando revi o jogo, vi quatro ou cinco situações que parecia que eu estava fora de mim. São situações que a gente aprende. Não adianta ter cinco ou 10 anos jogando. São situações que vão acontecer no dia a dia. Por isso, procuro sempre estar tranquilo, focado, entrar em campo sabendo o que fazer e deixar o resto fora. Agora, em questão de provocação, isso não muda nada. Como falei, o jogo do Flamengo foi atípico, eu estava desconcentrado por questões extracampo. Agora, se tiver que provocar vou provocar, e futebol vale essas coisas também.

Qual foi o seu pior momento em todas as passagens pelo Bahia?

Com certeza quando voltei da China. Tive muita dificuldade porque passei o ano todo lá e, no time que eu estava (Tianjin Teda), a parte física deixava muito a desejar, a parte técnica também um pouco. Então, voltei para cá praticamente há quatro meses parado depois do campeonato de lá, que acabou em outubro. Cheguei, e todo mundo depositando confiança que eu seria uma solução emergencial e, infelizmente, eu estava muito mal fisicamente. Tanto que sofri o ano todo, fui muito cobrado por isso, pois, dentro de campo, praticamente não estava rendendo nada. Eu tinha consciência disso, até falava com os treinadores na época que não estava me sentindo bem, estava sem força. E essas coisas acabam afetando em campo. Sempre que dava, Doriva tinha consciência disso, o próprio Guto e eles me ajudavam, me deixavam alguns jogos de fora. Depois chegaram Jackson e Tiago, que, graças a Deus, conseguiram entrosamento rápido e a gente conseguiu o acesso, porque os dois juntos formaram uma boa dupla. Isso foi bom porque eu procurei treinar mais. Sabia que poderia evoluir mais fisicamente e consequentemente ajudaria mais o time. Então, foi o que procurei fazer.

E o melhor momento?

Cara, meu melhor momento assim eu não sei. Ano de 2013, particularmente com Cristóvão (Borges) eu fui muito bem. Em 2014 também, o segundo semestre, mesmo a gente caindo, eu tive uma regularidade boa. Ano passado, fui muito abaixo, muito mesmo. Algumas coisas no futebol infelizmente acontecem, como a lesão do Jackson, e eu acabei entrando num jogo difícil na Copa do Brasil lá no Paraná e fui muito crucificado porque, querendo ou não, a gente falhou nos dois gols, a equipe toda. Mas, como eu era o cara que estava na jogada nos dois gols, fui crucificado por isso. Mesmo assim, sei que a vida de jogador é isso aí, vão apedrejar, criticar, vão procurar um sempre para crucificar. Mas, procurei sempre trabalhar porque sabia que uma hora ia afunilar e, na hora que o bicho pega, que a gente vê quem é quem. Então, desde aquele primeiro Ba-Vi que eu entrei no Baiano (dia 9 de abril), que estávamos perdendo por 2x0, ali para mim foi uma mudança nessa volta minha. Foi ali que parei pra pensar: ou agora vai ou não vai mais. Mesmo a gente perdendo aquele jogo, sei que entrei, dei o melhor de mim e a partir dali as coisas começaram a dar certo. Por questão de maturidade, performance, depois desses jogos chaves contra o Vitória, Sport, foi onde comecei a ter uma performance melhor.

Tem algum jogo que você tem um carinho especial?

Com certeza Bahia x Figueirense lá em Santa Catarina, 2012, foi meu primeiro jogo pelo Bahia. Titi estava suspenso, se não me engano, jogamos eu e Danny Morais na zaga e Danny, apesar de ter a mesma idade minha (32 anos), é um cara bem mais experiente que eu e, naquele momento, me acolheu, me deu bastante confiança, falou bastante comigo e pude ir para campo, consegui jogar bem, com confiança, graças a toda equipe.

Seu contrato encerra no final do ano. Permanecer e alcançar uma marca até maior é sua vontade?

Como eu disse, eu não me apego a marcas, números, essas coisas. O que me faz querer ficar, continuar no Bahia, é ver a evolução do clube. Quem está no dia a dia sabe. Eu, por exemplo, cheguei em 2012. O clube era um e hoje é outro. A torcida que tem o Bahia é linda, fanática, coisa bonita de se ver. Mas, em relação a renovação, o que posso fazer é trabalhar no dia a dia, dar o melhor de mim para dentro de campo, mostrar o meu valor e, consequentemente, cabe a diretor, comissão e presidente verem esse lado.

Qual foi o melhor parceiro de zaga que você teve no Bahia e em qual zagueiro você se espelha?

Difícil avaliar o melhor zagueiro que joguei aqui, porque futebol é momento. Tudo depende de esquema de equipe, tudo pode interferir. Em toda minha carreira, sempre joguei com excelentes zagueiros, companheiros que até hoje tenho amizade. Não quero eleger o melhor. Mais recentemente, quem eu gosto muito é Juan do Flamengo e Edu Dracena, que está no Palmeiras. Por ter o mesmo perfil, são caras reservados, de grupo, quando vão para o campo dão o melhor de si, se entregam. Citei eles pela questão técnica também, são jogadores muito técnicos, zagueiros experientes e é bonito de ver um zagueiro cortando dentro de campo. Às vezes, você olha o jogo e parece que eles não correm, mas é justamente por se posicionarem bem, cortam a jogada antes mesmo dela acontecer.

Qual seu sonho ou objetivo dentro do Bahia e na carreira?

Eu vivenciei este ano uma coisa que é maravilhosa, ser campeão da Copa do Nordeste foi muito gratificante. Naquele momento, nem caiu a ficha. Depois que foram passando os dias até comentei com meus amigos: “Pô, cara, que conquista foi essa?”. Às vezes a gente não tem noção do que é a torcida do Bahia. Precisa acontecer alguma coisa para a gente ver do que eles (torcedores) são capazes. A cada jogo, você vê que a torcida sempre surpreende a gente. Pela imensidão deles e do que são capazes, criatividade, tudo. Meu sonho é ganhar mais títulos aqui. Infelizmente, este ano a gente não tem condições de ser campeão brasileiro, temos consciência que a Série A é muito difícil e, como equipe, como entidade, tem muita coisa a evoluir, não depende só do Bahia, são muitos fatores. Tem até que dar os parabéns à questão administrativa do clube. Desde que cheguei aqui, tudo organizado, cumprido, não tem mais dor de cabeça como tinha antigamente por falta de profissionalismo.

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Fora do campo, um cara reservado, de poucas palavras e certa aversão à imprensa. Dentro dele, não se inibe diante de nenhum adversário e, apesar de não ter sido formado nas divisões de base do clube, é uma das referências do Bahia pela identificação criada. No Ba-Vi de domingo (22), tipo de jogo em que ele geralmente se torna um dos principais personagens pelas polêmicas e provocações, Lucas Fonseca completará 150 jogos pelo tricolor. É a maior marca entre os atletas do atual elenco. Na sua terceira passagem pelo clube, pode-se dizer que Lucas já tem muita história para contar e foi o que ele fez em entrevista exclusiva ao CORREIO.

Como você descreve o período entre a sua primeira passagem pelo Bahia, em 2012, e agora? O que mudou?

Muita coisa mudou. Primeiramente, a cobrança, quando cheguei vindo de um time pequeno (Mogi Mirim) para um grande, era grande. Então, eu tinha que assimilar isso mais rápido. No momento, tinham jogadores experientes que me ajudaram bastante como Titi, Danny Morais, Fabinho, Zé Roberto, toda aquela turma daquela época. Foi um momento que me acolheram bem e eu me senti em casa. Com o passar dos anos, fui adquirindo experiência. Mesmo assim, em alguns momentos, a gente sabe que precisa aprender muito ainda.

Você é um cara reservado, até não gosta muito de dar entrevista. Algo te levou a ser assim ou é o seu jeito mesmo?

Eu procuro não falar muito para não dar margem para os outros falarem de mim. A gente já está numa situação de ser figura pública e, querendo ou não, o povo fala da gente. Então, para não dar muita brecha pra ficarem falando da gente, prefiro ficar na minha, fazer meu trabalho no dia a dia, e é pra isso que eu trabalho sério e me dedico ao máximo.

Com a sua família você também é assim? Como é o jogador Lucas Fonseca fora do campo?

Eu sou mineiro, minha família é toda de lá. Sou bem ligado a eles. Infelizmente, o preço do futebol é esse. Eu praticamente passo o ano todo aqui sozinho, em Salvador. Tenho minha namorada, mas minha família fica em Minhas. É um pouco difícil, e a gente acaba se acostumando. Já estou assim desde a época de faculdade antes de começar a jogar, faculdade de educação física. Então a gente sente falta, mas acostuma.

O que significa para você ser hoje o jogador do elenco com mais partidas pelo clube?

Nas outras entrevistas, sempre falei que nunca penso em metas, em números. Eu penso sempre em trabalhar ao máximo que eu puder para estar bem, dar o melhor de mim. E, como eu falei anteriormente, com o passar do tempo, adquiri experiência. Mesmo assim, em alguns momentos, a gente sabe que pode cometer erros, tá suscetível a isso. Então, tem que estar concentrado, focado e poder sempre fazer as coisas corretas.

Completar 150 jogos pelo Bahia em um Ba-Vi é especial?

Eu costumo tratar como mais um jogo. Independentemente de quem a gente vai enfrentar, temos que saber que do outro lado tem onze jogadores, que trabalham assim como a gente e querem vencer. Então, pela imprensa, pela torcida, sim, é um fato importante, porque vão ser 150 jogos, querendo ou não isso vai expor um pouco. Mas o fato de eu estar bem preparado e concentrado pode ser que ajude a minha equipe a vencer a partida.

Você jogou sete Ba-Vis pelo Bahia. Venceu três, empatou dois e perdeu dois. Considera uma marca boa?

Não costumo me apegar a números, resultados, essas coisas não. Procuro sempre ser profissional e ter performance. Para isso, no dia a dia tem quer trabalho e essas coisas de números, clássico, rivalidade... Para mim, rivalidade existe com todo adversário meu. Quando eu tiver em campo, seja contra A, B ou C eu vou dar o melhor de mim. Se tiver que provocar, vou provocar, se me provocar também eu aceito numa boa, vou provocar também. Futebol é isso, cara. É jogo.

Você lembra quantos gols já fez na carreira?

Rapaz, se eu não me engano tenho poucos gols. Devo ter três ou quatro, cara. Pelo Bahia, eu tenho um contra o Inter na Sul-Americana, um contra o Galícia e tenho dois no interior de São Paulo, pelo Lemense. Na época, era segunda divisão do Paulista.

Isso te incomoda de algum jeito?

Geralmente, o zagueiro que faz muitos gols acaba aparecendo mais, né? Mas, minha função primeiro é defender. Claro que a gente vai na área, muitas vezes converso com os companheiros. Eles sempre colocam os caras mais altos, bons cabeceadores para me marcar e eu procuro sempre tentar levar esse cara para um espaço vazio, para onde meus companheiros não vão, para a bola sobrar pra eles. Alguns jogos desse ano o Tiago fez gol, o Edson fez gol, justamente porque eu consegui levar o melhor marcador deles e deixei espaço para eles entrarem e cabecearem sozinhos.

Imagino que quando você consegue marcar seja uma festa...

Não... (risos) Até meus amigos da minha cidade brincam que se eu fizer um gol não vou saber nem comemorar que faz tanto tempo que eu não faço um gol (risos)...

No seu último retorno, você se desculpou pela forma que saiu em 2015, superou um desentendimento com o presidente Marcelo Sant’Ana. Mas de fato o que te fez ir embora naquele momento?

Primeiramente, sou muito grato ao Bahia por tudo que aconteceu na minha vida. É onde eu consegui ter visibilidade e aparecer para o futebol. Quando apareceu a proposta para eu sair daqui, para mim, pela idade que eu estava no momento, eu considerava meu auge e achei que era o momento ideal. No momento que o Marcelo chegou, foi o momento em que apareceu a proposta. Eu sabia que teria dificuldade de sair por questões de contrato e tudo. Em contrapartida também, nos outros vínculos com o Bahia, em 2012, eu já tive um problema contratual, que o clube não cumpriu, na diretoria anterior. Depois nos anos seguintes de 2013 e 2014 tinham algumas pendências. Inclusive fui falar com o presidente, com a parte financeira, jurídica, que tinha acabado de assumir e a gente achou que era melhor encerrar o vínculo. Eu, minha família, todos. E aí foi o momento até difícil, pois foi o clube que abriu as portas para mim, mas era uma coisa financeiramente muito boa, experiência de vida também e eu não podia perder aquele momento, pois não sabia se aconteceria de novo. Eu, naquele momento, estava até brincando com minha família, porque poxa, eu joguei 2012 e 2013 aqui, a gente não caiu, foi duro para caramba e não apareceu nada. Quando a gente cai, aparece. Futebol tem coisas que a gente tem que estar sempre preparado. Uma coisa que levei de lição naquele ano é que não podemos nunca desistir. Porque 2014 foi um ano muito difícil, tivemos muitos problemas políticos no Bahia, trocou muito diretor, presidente, comissão, teve muita mudança e acaba prejudicando o clube. Mesmo no primeiro semestre, eu praticamente não jogando, eu sempre fui dando meu melhor, trabalhando, pois sabia que na hora que precisasse seria solicitado e foi o que aconteceu. No segundo semestre, eu passei a jogar e foi quando os caras vieram para cá ver um jogo, para ver outro jogador e acabaram me vendo, gostaram de mim, começaram a acompanhar e vieram com uma proposta no começo de 2015.

E o que te fez voltar?

Como eu disse, tenho enorme gratidão pelo Bahia. Quando saí daqui, na minha concepção, também deixei as portas abertas. Não pelo que fiz, mas pela pessoa que fui aqui dentro. Sempre fui comprometido com o clube, nunca dei um problema extracampo. Teve essa situação com o presidente, o desgaste, mas foi sanado e a gente se entendeu. Eu entendi o lado dele e ele entendeu o meu. Posso ter agido errado de alguma forma em algum momento sim, já pedi desculpa, tentei me esclarecer. Infelizmente, a gente não pode falar muito, pois acaba se expondo. Naquele momento, eu saí como o errado da história. Eu sabia que em campo, nos treinos, tinha dado o meu melhor e sabia que, se algum dia houvesse oportunidade de voltar, eu voltaria feliz para dar o melhor de mim novamente.

Quando foi que você desenvolveu o lado “provocador” em campo?

Como eu disse, a gente vai para o campo e é rivalidade, independentemente se é time da capital ou de outra cidade. Dentro de campo, todo mundo quer vencer, seja lado A, seja lado B. Às vezes, as pessoas me marcam achando que só eu que provoco. Mas, dentro de campo, também os atacantes provocam e, às vezes, também batem. Dentro de campo, vale essas coisas, faz parte do futebol, não tem como tirar isso. E aí cabe no momento saber desequilibrar o adversário. Tem jogador que vem para fazer a mesma coisa, te tirar do sério e você acabar falhando. Algumas vezes a gente erra, outras acerta, mas o intuito de provocar o adversário é tirar ele do sério.

Te incomoda ser chamado de “chato”?

Isso aí estou acostumado já, todo jogo eles falam. Às vezes, a gente vai até trocar camisa e eles falam: “Pô, tá de sacanagem? Quer trocar camisa ainda (risos)?”

Depois do jogo contra o Flamengo pelo 1º turno, pela forma que foi expulso, você diminuiu as provocações?

Aquele jogo foi uma situação atípica. Fiquei até chateado comigo depois porque faltou um pouco mais de responsabilidade minha. Era um jogo importante pra gente, acabei prejudicando a equipe, o treinador da época, que era o Jorginho. Depois eu vi toda a situação sim. Era um momento em que eu estava com uma situação extracampo que devia ter assinalado com o técnico, pedido para não jogar. Entrei no campo desconcentrado, tanto que quando revi o jogo, vi quatro ou cinco situações que parecia que eu estava fora de mim. São situações que a gente aprende. Não adianta ter cinco ou 10 anos jogando. São situações que vão acontecer no dia a dia. Por isso, procuro sempre estar tranquilo, focado, entrar em campo sabendo o que fazer e deixar o resto fora. Agora, em questão de provocação, isso não muda nada. Como falei, o jogo do Flamengo foi atípico, eu estava desconcentrado por questões extracampo. Agora, se tiver que provocar vou provocar, e futebol vale essas coisas também.

Qual foi o seu pior momento em todas as passagens pelo Bahia?

Com certeza quando voltei da China. Tive muita dificuldade porque passei o ano todo lá e, no time que eu estava (Tianjin Teda), a parte física deixava muito a desejar, a parte técnica também um pouco. Então, voltei para cá praticamente há quatro meses parado depois do campeonato de lá, que acabou em outubro. Cheguei, e todo mundo depositando confiança que eu seria uma solução emergencial e, infelizmente, eu estava muito mal fisicamente. Tanto que sofri o ano todo, fui muito cobrado por isso, pois, dentro de campo, praticamente não estava rendendo nada. Eu tinha consciência disso, até falava com os treinadores na época que não estava me sentindo bem, estava sem força. E essas coisas acabam afetando em campo. Sempre que dava, Doriva tinha consciência disso, o próprio Guto e eles me ajudavam, me deixavam alguns jogos de fora. Depois chegaram Jackson e Tiago, que, graças a Deus, conseguiram entrosamento rápido e a gente conseguiu o acesso, porque os dois juntos formaram uma boa dupla. Isso foi bom porque eu procurei treinar mais. Sabia que poderia evoluir mais fisicamente e consequentemente ajudaria mais o time. Então, foi o que procurei fazer.

E o melhor momento?

Cara, meu melhor momento assim eu não sei. Ano de 2013, particularmente com Cristóvão (Borges) eu fui muito bem. Em 2014 também, o segundo semestre, mesmo a gente caindo, eu tive uma regularidade boa. Ano passado, fui muito abaixo, muito mesmo. Algumas coisas no futebol infelizmente acontecem, como a lesão do Jackson, e eu acabei entrando num jogo difícil na Copa do Brasil lá no Paraná e fui muito crucificado porque, querendo ou não, a gente falhou nos dois gols, a equipe toda. Mas, como eu era o cara que estava na jogada nos dois gols, fui crucificado por isso. Mesmo assim, sei que a vida de jogador é isso aí, vão apedrejar, criticar, vão procurar um sempre para crucificar. Mas, procurei sempre trabalhar porque sabia que uma hora ia afunilar e, na hora que o bicho pega, que a gente vê quem é quem. Então, desde aquele primeiro Ba-Vi que eu entrei no Baiano (dia 9 de abril), que estávamos perdendo por 2x0, ali para mim foi uma mudança nessa volta minha. Foi ali que parei pra pensar: ou agora vai ou não vai mais. Mesmo a gente perdendo aquele jogo, sei que entrei, dei o melhor de mim e a partir dali as coisas começaram a dar certo. Por questão de maturidade, performance, depois desses jogos chaves contra o Vitória, Sport, foi onde comecei a ter uma performance melhor.

Tem algum jogo que você tem um carinho especial?

Com certeza Bahia x Figueirense lá em Santa Catarina, 2012, foi meu primeiro jogo pelo Bahia. Titi estava suspenso, se não me engano, jogamos eu e Danny Morais na zaga e Danny, apesar de ter a mesma idade minha (32 anos), é um cara bem mais experiente que eu e, naquele momento, me acolheu, me deu bastante confiança, falou bastante comigo e pude ir para campo, consegui jogar bem, com confiança, graças a toda equipe.

Seu contrato encerra no final do ano. Permanecer e alcançar uma marca até maior é sua vontade?

Como eu disse, eu não me apego a marcas, números, essas coisas. O que me faz querer ficar, continuar no Bahia, é ver a evolução do clube. Quem está no dia a dia sabe. Eu, por exemplo, cheguei em 2012. O clube era um e hoje é outro. A torcida que tem o Bahia é linda, fanática, coisa bonita de se ver. Mas, em relação a renovação, o que posso fazer é trabalhar no dia a dia, dar o melhor de mim para dentro de campo, mostrar o meu valor e, consequentemente, cabe a diretor, comissão e presidente verem esse lado.

Qual foi o melhor parceiro de zaga que você teve no Bahia e em qual zagueiro você se espelha?

Difícil avaliar o melhor zagueiro que joguei aqui, porque futebol é momento. Tudo depende de esquema de equipe, tudo pode interferir. Em toda minha carreira, sempre joguei com excelentes zagueiros, companheiros que até hoje tenho amizade. Não quero eleger o melhor. Mais recentemente, quem eu gosto muito é Juan do Flamengo e Edu Dracena, que está no Palmeiras. Por ter o mesmo perfil, são caras reservados, de grupo, quando vão para o campo dão o melhor de si, se entregam. Citei eles pela questão técnica também, são jogadores muito técnicos, zagueiros experientes e é bonito de ver um zagueiro cortando dentro de campo. Às vezes, você olha o jogo e parece que eles não correm, mas é justamente por se posicionarem bem, cortam a jogada antes mesmo dela acontecer.

Qual seu sonho ou objetivo dentro do Bahia e na carreira?

Eu vivenciei este ano uma coisa que é maravilhosa, ser campeão da Copa do Nordeste foi muito gratificante. Naquele momento, nem caiu a ficha. Depois que foram passando os dias até comentei com meus amigos: “Pô, cara, que conquista foi essa?”. Às vezes a gente não tem noção do que é a torcida do Bahia. Precisa acontecer alguma coisa para a gente ver do que eles (torcedores) são capazes. A cada jogo, você vê que a torcida sempre surpreende a gente. Pela imensidão deles e do que são capazes, criatividade, tudo. Meu sonho é ganhar mais títulos aqui. Infelizmente, este ano a gente não tem condições de ser campeão brasileiro, temos consciência que a Série A é muito difícil e, como equipe, como entidade, tem muita coisa a evoluir, não depende só do Bahia, são muitos fatores. Tem até que dar os parabéns à questão administrativa do clube. Desde que cheguei aqui, tudo organizado, cumprido, não tem mais dor de cabeça como tinha antigamente por falta de profissionalismo.

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Thursday 19 October 2017, 1:29 pm Após reunião, Sant'Ana decide não ser candidato à reeleição Marcelo Sant'Ana não será candidato à reeleiçã...
Marcelo Sant'Ana não será candidato à reeleição no Bahia. A decisão aconteceu após reunião realizada na quarta-feira (18) à noite, com a presença do mandatário tricolor e representantes de grupos ligados à política do clube. Houve ainda um debate entre dois possíveis sucessores de Sant'Ana, o atual vice-presidente Pedro Henriques e o secretário municipal de Desenvolvimento e Urbanismo, Guilherme Bellintani. 

Por questões familiares, Sant'Ana decidiu não concorrer ao pleito que acontecerá no dia 9 de dezembro. E segundo apurou o CORREIO, o presidente prefere que Henriques seja o seu substituto no cargo para o próximo triênio. Marcelo vê no atual vice-presidente uma possibilidade maior de dar continuidade ao trabalho que vem sendo feito. 

Alguns membros da base eleitoral ainda tentam convencer Sant'Ana a se candidatar, embora o mesmo já esteja decidido. Os grupos Simplesmente Bahia e Revolução Tricolor, que formam a base de apoio do presidente, tentam chegar a um consenso sobre o candidato ideal, o que no momento está longe de acontecer. No cenário de hoje, o mais provável é que Pedro Henriques e Guilherme Bellintani sejam adversários na corrida presidencial, justamente o que Sant'Ana, que tenta costurar uma conciliação, não quer. 

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Marcelo Sant'Ana não será candidato à reeleição no Bahia. A decisão aconteceu após reunião realizada na quarta-feira (18) à noite, com a presença do mandatário tricolor e representantes de grupos ligados à política do clube. Houve ainda um debate entre dois possíveis sucessores de Sant'Ana, o atual vice-presidente Pedro Henriques e o secretário municipal de Desenvolvimento e Urbanismo, Guilherme Bellintani. 

Por questões familiares, Sant'Ana decidiu não concorrer ao pleito que acontecerá no dia 9 de dezembro. E segundo apurou o CORREIO, o presidente prefere que Henriques seja o seu substituto no cargo para o próximo triênio. Marcelo vê no atual vice-presidente uma possibilidade maior de dar continuidade ao trabalho que vem sendo feito. 

Alguns membros da base eleitoral ainda tentam convencer Sant'Ana a se candidatar, embora o mesmo já esteja decidido. Os grupos Simplesmente Bahia e Revolução Tricolor, que formam a base de apoio do presidente, tentam chegar a um consenso sobre o candidato ideal, o que no momento está longe de acontecer. No cenário de hoje, o mais provável é que Pedro Henriques e Guilherme Bellintani sejam adversários na corrida presidencial, justamente o que Sant'Ana, que tenta costurar uma conciliação, não quer. 

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Marcelo Sant'Ana não será candidato à reeleição no Bahia. A decisão aconteceu após reunião realizada na quarta-feira (18) à noite, com a presença do mandatário tricolor e representantes de grupos ligados à política do clube. Houve ainda um debate entre dois possíveis sucessores de Sant'Ana, o atual vice-presidente Pedro Henriques e o secretário municipal de Desenvolvimento e Urbanismo, Guilherme Bellintani. 

Por questões familiares, Sant'Ana decidiu não concorrer ao pleito que acontecerá no dia 9 de dezembro. E segundo apurou o CORREIO, o presidente prefere que Henriques seja o seu substituto no cargo para o próximo triênio. Marcelo vê no atual vice-presidente uma possibilidade maior de dar continuidade ao trabalho que vem sendo feito. 

Alguns membros da base eleitoral ainda tentam convencer Sant'Ana a se candidatar, embora o mesmo já esteja decidido. Os grupos Simplesmente Bahia e Revolução Tricolor, que formam a base de apoio do presidente, tentam chegar a um consenso sobre o candidato ideal, o que no momento está longe de acontecer. No cenário de hoje, o mais provável é que Pedro Henriques e Guilherme Bellintani sejam adversários na corrida presidencial, justamente o que Sant'Ana, que tenta costurar uma conciliação, não quer. 

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Marcelo Sant'Ana não será candidato à reeleição no Bahia. A decisão aconteceu após reunião realizada na quarta-feira (18) à noite, com a presença do mandatário tricolor e representantes de grupos ligados à política do clube. Houve ainda um debate entre dois possíveis sucessores de Sant'Ana, o atual vice-presidente Pedro Henriques e o secretário municipal de Desenvolvimento e Urbanismo, Guilherme Bellintani. 

Por questões familiares, Sant'Ana decidiu não concorrer ao pleito que acontecerá no dia 9 de dezembro. E segundo apurou o CORREIO, o presidente prefere que Henriques seja o seu substituto no cargo para o próximo triênio. Marcelo vê no atual vice-presidente uma possibilidade maior de dar continuidade ao trabalho que vem sendo feito. 

Alguns membros da base eleitoral ainda tentam convencer Sant'Ana a se candidatar, embora o mesmo já esteja decidido. Os grupos Simplesmente Bahia e Revolução Tricolor, que formam a base de apoio do presidente, tentam chegar a um consenso sobre o candidato ideal, o que no momento está longe de acontecer. No cenário de hoje, o mais provável é que Pedro Henriques e Guilherme Bellintani sejam adversários na corrida presidencial, justamente o que Sant'Ana, que tenta costurar uma conciliação, não quer. 

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Marcelo Sant'Ana não será candidato à reeleição no Bahia. A decisão aconteceu após reunião realizada na quarta-feira (18) à noite, com a presença do mandatário tricolor e representantes de grupos ligados à política do clube. Houve ainda um debate entre dois possíveis sucessores de Sant'Ana, o atual vice-presidente Pedro Henriques e o secretário municipal de Desenvolvimento e Urbanismo, Guilherme Bellintani. 

Por questões familiares, Sant'Ana decidiu não concorrer ao pleito que acontecerá no dia 9 de dezembro. E segundo apurou o CORREIO, o presidente prefere que Henriques seja o seu substituto no cargo para o próximo triênio. Marcelo vê no atual vice-presidente uma possibilidade maior de dar continuidade ao trabalho que vem sendo feito. 

Alguns membros da base eleitoral ainda tentam convencer Sant'Ana a se candidatar, embora o mesmo já esteja decidido. Os grupos Simplesmente Bahia e Revolução Tricolor, que formam a base de apoio do presidente, tentam chegar a um consenso sobre o candidato ideal, o que no momento está longe de acontecer. No cenário de hoje, o mais provável é que Pedro Henriques e Guilherme Bellintani sejam adversários na corrida presidencial, justamente o que Sant'Ana, que tenta costurar uma conciliação, não quer. 

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Marcelo Sant'Ana não será candidato à reeleição no Bahia. A decisão aconteceu após reunião realizada na quarta-feira (18) à noite, com a presença do mandatário tricolor e representantes de grupos ligados à política do clube. Houve ainda um debate entre dois possíveis sucessores de Sant'Ana, o atual vice-presidente Pedro Henriques e o secretário municipal de Desenvolvimento e Urbanismo, Guilherme Bellintani. 

Por questões familiares, Sant'Ana decidiu não concorrer ao pleito que acontecerá no dia 9 de dezembro. E segundo apurou o CORREIO, o presidente prefere que Henriques seja o seu substituto no cargo para o próximo triênio. Marcelo vê no atual vice-presidente uma possibilidade maior de dar continuidade ao trabalho que vem sendo feito. 

Alguns membros da base eleitoral ainda tentam convencer Sant'Ana a se candidatar, embora o mesmo já esteja decidido. Os grupos Simplesmente Bahia e Revolução Tricolor, que formam a base de apoio do presidente, tentam chegar a um consenso sobre o candidato ideal, o que no momento está longe de acontecer. No cenário de hoje, o mais provável é que Pedro Henriques e Guilherme Bellintani sejam adversários na corrida presidencial, justamente o que Sant'Ana, que tenta costurar uma conciliação, não quer. 

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Marcelo Sant'Ana não será candidato à reeleição no Bahia. A decisão aconteceu após reunião realizada na quarta-feira (18) à noite, com a presença do mandatário tricolor e representantes de grupos ligados à política do clube. Houve ainda um debate entre dois possíveis sucessores de Sant'Ana, o atual vice-presidente Pedro Henriques e o secretário municipal de Desenvolvimento e Urbanismo, Guilherme Bellintani. 

Por questões familiares, Sant'Ana decidiu não concorrer ao pleito que acontecerá no dia 9 de dezembro. E segundo apurou o CORREIO, o presidente prefere que Henriques seja o seu substituto no cargo para o próximo triênio. Marcelo vê no atual vice-presidente uma possibilidade maior de dar continuidade ao trabalho que vem sendo feito. 

Alguns membros da base eleitoral ainda tentam convencer Sant'Ana a se candidatar, embora o mesmo já esteja decidido. Os grupos Simplesmente Bahia e Revolução Tricolor, que formam a base de apoio do presidente, tentam chegar a um consenso sobre o candidato ideal, o que no momento está longe de acontecer. No cenário de hoje, o mais provável é que Pedro Henriques e Guilherme Bellintani sejam adversários na corrida presidencial, justamente o que Sant'Ana, que tenta costurar uma conciliação, não quer. 

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Marcelo Sant'Ana não será candidato à reeleição no Bahia. A decisão aconteceu após reunião realizada na quarta-feira (18) à noite, com a presença do mandatário tricolor e representantes de grupos ligados à política do clube. Houve ainda um debate entre dois possíveis sucessores de Sant'Ana, o atual vice-presidente Pedro Henriques e o secretário municipal de Desenvolvimento e Urbanismo, Guilherme Bellintani. 

Por questões familiares, Sant'Ana decidiu não concorrer ao pleito que acontecerá no dia 9 de dezembro. E segundo apurou o CORREIO, o presidente prefere que Henriques seja o seu substituto no cargo para o próximo triênio. Marcelo vê no atual vice-presidente uma possibilidade maior de dar continuidade ao trabalho que vem sendo feito. 

Alguns membros da base eleitoral ainda tentam convencer Sant'Ana a se candidatar, embora o mesmo já esteja decidido. Os grupos Simplesmente Bahia e Revolução Tricolor, que formam a base de apoio do presidente, tentam chegar a um consenso sobre o candidato ideal, o que no momento está longe de acontecer. No cenário de hoje, o mais provável é que Pedro Henriques e Guilherme Bellintani sejam adversários na corrida presidencial, justamente o que Sant'Ana, que tenta costurar uma conciliação, não quer. 

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Wednesday 18 October 2017, 11:48 pm Carpegiani evita falar sobre Ba-Vi, mas elogia rival O último Ba-Vi de 2017 será disputado no domingo (22), às 1...
O último Ba-Vi de 2017 será disputado no domingo (22), às 16h, na Fonte Nova. Com Bahia e Vitória na luta contra o rebaixamento, o clássico válido pela 30ª rodada do Brasileirão ganha ainda mais importância. Mas antes de receber o maior rival, o tricolor tem um outro rubro-negro pela frente. O Bahia entra em campo quinta-feira (19), às 20h, contra o Flamengo, na Ilha do Urubu, e o técnico Paulo Cézar Carpegiani garante que está totalmente concentrado no confronto com a equipe carioca.

"Nem me passou pela cabeça. Sei que tem um clássico, mas a minha concentração está no Flamengo. Se eu me preocupar com o Vitória, vou esquecer do Flamengo. Tem a expectativa do torcedor, mas vamos pensar nisso a partir de sexta-feira. São os mesmos três pontos que teremos a disputar contra o Flamengo”, afirmou Carpegiani. A delegação viajou nesta quarta (18) para o Rio de Janeiro.

Mesmo tentando evitar o assunto, o técnico do Bahia demostrou acompanhar a evolução do time do Vitória após a chegada do colega Vagner Mancini à Toca do Leão. “Vi o Vitória jogar, jogou muito bem. Não quero entrar em detalhes disso, não compete a mim analisar outras equipes. Estou concentrado na minha. Mas vai ser um jogo igual. O que vai tornar diferente é a grande rivalidade, desde que não parta para outras coisas. Estava em um programa de televisão e disse que o Vitória não ia cair. No empate em 0x0 com o Cruzeiro (quando Mancini estreou, no dia 30 de julho), vi que mudou a cara do Vitória e tem muito mérito do Mancini”, elogiou.

Com 35 pontos, o Bahia é o 10º colocado do Brasileirão. O Vitória soma 33 e ocupa o 15º lugar. Assim como o tricolor, o rubro-negro também entra em campo na quinta-feira (19), só que às 19h, contra o Atlético-PR, no Barradão.

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O último Ba-Vi de 2017 será disputado no domingo (22), às 16h, na Fonte Nova. Com Bahia e Vitória na luta contra o rebaixamento, o clássico válido pela 30ª rodada do Brasileirão ganha ainda mais importância. Mas antes de receber o maior rival, o tricolor tem um outro rubro-negro pela frente. O Bahia entra em campo quinta-feira (19), às 20h, contra o Flamengo, na Ilha do Urubu, e o técnico Paulo Cézar Carpegiani garante que está totalmente concentrado no confronto com a equipe carioca.

"Nem me passou pela cabeça. Sei que tem um clássico, mas a minha concentração está no Flamengo. Se eu me preocupar com o Vitória, vou esquecer do Flamengo. Tem a expectativa do torcedor, mas vamos pensar nisso a partir de sexta-feira. São os mesmos três pontos que teremos a disputar contra o Flamengo”, afirmou Carpegiani. A delegação viajou nesta quarta (18) para o Rio de Janeiro.

Mesmo tentando evitar o assunto, o técnico do Bahia demostrou acompanhar a evolução do time do Vitória após a chegada do colega Vagner Mancini à Toca do Leão. “Vi o Vitória jogar, jogou muito bem. Não quero entrar em detalhes disso, não compete a mim analisar outras equipes. Estou concentrado na minha. Mas vai ser um jogo igual. O que vai tornar diferente é a grande rivalidade, desde que não parta para outras coisas. Estava em um programa de televisão e disse que o Vitória não ia cair. No empate em 0x0 com o Cruzeiro (quando Mancini estreou, no dia 30 de julho), vi que mudou a cara do Vitória e tem muito mérito do Mancini”, elogiou.

Com 35 pontos, o Bahia é o 10º colocado do Brasileirão. O Vitória soma 33 e ocupa o 15º lugar. Assim como o tricolor, o rubro-negro também entra em campo na quinta-feira (19), só que às 19h, contra o Atlético-PR, no Barradão.

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O último Ba-Vi de 2017 será disputado no domingo (22), às 16h, na Fonte Nova. Com Bahia e Vitória na luta contra o rebaixamento, o clássico válido pela 30ª rodada do Brasileirão ganha ainda mais importância. Mas antes de receber o maior rival, o tricolor tem um outro rubro-negro pela frente. O Bahia entra em campo quinta-feira (19), às 20h, contra o Flamengo, na Ilha do Urubu, e o técnico Paulo Cézar Carpegiani garante que está totalmente concentrado no confronto com a equipe carioca.

"Nem me passou pela cabeça. Sei que tem um clássico, mas a minha concentração está no Flamengo. Se eu me preocupar com o Vitória, vou esquecer do Flamengo. Tem a expectativa do torcedor, mas vamos pensar nisso a partir de sexta-feira. São os mesmos três pontos que teremos a disputar contra o Flamengo”, afirmou Carpegiani. A delegação viajou nesta quarta (18) para o Rio de Janeiro.

Mesmo tentando evitar o assunto, o técnico do Bahia demostrou acompanhar a evolução do time do Vitória após a chegada do colega Vagner Mancini à Toca do Leão. “Vi o Vitória jogar, jogou muito bem. Não quero entrar em detalhes disso, não compete a mim analisar outras equipes. Estou concentrado na minha. Mas vai ser um jogo igual. O que vai tornar diferente é a grande rivalidade, desde que não parta para outras coisas. Estava em um programa de televisão e disse que o Vitória não ia cair. No empate em 0x0 com o Cruzeiro (quando Mancini estreou, no dia 30 de julho), vi que mudou a cara do Vitória e tem muito mérito do Mancini”, elogiou.

Com 35 pontos, o Bahia é o 10º colocado do Brasileirão. O Vitória soma 33 e ocupa o 15º lugar. Assim como o tricolor, o rubro-negro também entra em campo na quinta-feira (19), só que às 19h, contra o Atlético-PR, no Barradão.

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O último Ba-Vi de 2017 será disputado no domingo (22), às 16h, na Fonte Nova. Com Bahia e Vitória na luta contra o rebaixamento, o clássico válido pela 30ª rodada do Brasileirão ganha ainda mais importância. Mas antes de receber o maior rival, o tricolor tem um outro rubro-negro pela frente. O Bahia entra em campo quinta-feira (19), às 20h, contra o Flamengo, na Ilha do Urubu, e o técnico Paulo Cézar Carpegiani garante que está totalmente concentrado no confronto com a equipe carioca.

"Nem me passou pela cabeça. Sei que tem um clássico, mas a minha concentração está no Flamengo. Se eu me preocupar com o Vitória, vou esquecer do Flamengo. Tem a expectativa do torcedor, mas vamos pensar nisso a partir de sexta-feira. São os mesmos três pontos que teremos a disputar contra o Flamengo”, afirmou Carpegiani. A delegação viajou nesta quarta (18) para o Rio de Janeiro.

Mesmo tentando evitar o assunto, o técnico do Bahia demostrou acompanhar a evolução do time do Vitória após a chegada do colega Vagner Mancini à Toca do Leão. “Vi o Vitória jogar, jogou muito bem. Não quero entrar em detalhes disso, não compete a mim analisar outras equipes. Estou concentrado na minha. Mas vai ser um jogo igual. O que vai tornar diferente é a grande rivalidade, desde que não parta para outras coisas. Estava em um programa de televisão e disse que o Vitória não ia cair. No empate em 0x0 com o Cruzeiro (quando Mancini estreou, no dia 30 de julho), vi que mudou a cara do Vitória e tem muito mérito do Mancini”, elogiou.

Com 35 pontos, o Bahia é o 10º colocado do Brasileirão. O Vitória soma 33 e ocupa o 15º lugar. Assim como o tricolor, o rubro-negro também entra em campo na quinta-feira (19), só que às 19h, contra o Atlético-PR, no Barradão.

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O último Ba-Vi de 2017 será disputado no domingo (22), às 16h, na Fonte Nova. Com Bahia e Vitória na luta contra o rebaixamento, o clássico válido pela 30ª rodada do Brasileirão ganha ainda mais importância. Mas antes de receber o maior rival, o tricolor tem um outro rubro-negro pela frente. O Bahia entra em campo quinta-feira (19), às 20h, contra o Flamengo, na Ilha do Urubu, e o técnico Paulo Cézar Carpegiani garante que está totalmente concentrado no confronto com a equipe carioca.

"Nem me passou pela cabeça. Sei que tem um clássico, mas a minha concentração está no Flamengo. Se eu me preocupar com o Vitória, vou esquecer do Flamengo. Tem a expectativa do torcedor, mas vamos pensar nisso a partir de sexta-feira. São os mesmos três pontos que teremos a disputar contra o Flamengo”, afirmou Carpegiani. A delegação viajou nesta quarta (18) para o Rio de Janeiro.

Mesmo tentando evitar o assunto, o técnico do Bahia demostrou acompanhar a evolução do time do Vitória após a chegada do colega Vagner Mancini à Toca do Leão. “Vi o Vitória jogar, jogou muito bem. Não quero entrar em detalhes disso, não compete a mim analisar outras equipes. Estou concentrado na minha. Mas vai ser um jogo igual. O que vai tornar diferente é a grande rivalidade, desde que não parta para outras coisas. Estava em um programa de televisão e disse que o Vitória não ia cair. No empate em 0x0 com o Cruzeiro (quando Mancini estreou, no dia 30 de julho), vi que mudou a cara do Vitória e tem muito mérito do Mancini”, elogiou.

Com 35 pontos, o Bahia é o 10º colocado do Brasileirão. O Vitória soma 33 e ocupa o 15º lugar. Assim como o tricolor, o rubro-negro também entra em campo na quinta-feira (19), só que às 19h, contra o Atlético-PR, no Barradão.

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O último Ba-Vi de 2017 será disputado no domingo (22), às 16h, na Fonte Nova. Com Bahia e Vitória na luta contra o rebaixamento, o clássico válido pela 30ª rodada do Brasileirão ganha ainda mais importância. Mas antes de receber o maior rival, o tricolor tem um outro rubro-negro pela frente. O Bahia entra em campo quinta-feira (19), às 20h, contra o Flamengo, na Ilha do Urubu, e o técnico Paulo Cézar Carpegiani garante que está totalmente concentrado no confronto com a equipe carioca.

"Nem me passou pela cabeça. Sei que tem um clássico, mas a minha concentração está no Flamengo. Se eu me preocupar com o Vitória, vou esquecer do Flamengo. Tem a expectativa do torcedor, mas vamos pensar nisso a partir de sexta-feira. São os mesmos três pontos que teremos a disputar contra o Flamengo”, afirmou Carpegiani. A delegação viajou nesta quarta (18) para o Rio de Janeiro.

Mesmo tentando evitar o assunto, o técnico do Bahia demostrou acompanhar a evolução do time do Vitória após a chegada do colega Vagner Mancini à Toca do Leão. “Vi o Vitória jogar, jogou muito bem. Não quero entrar em detalhes disso, não compete a mim analisar outras equipes. Estou concentrado na minha. Mas vai ser um jogo igual. O que vai tornar diferente é a grande rivalidade, desde que não parta para outras coisas. Estava em um programa de televisão e disse que o Vitória não ia cair. No empate em 0x0 com o Cruzeiro (quando Mancini estreou, no dia 30 de julho), vi que mudou a cara do Vitória e tem muito mérito do Mancini”, elogiou.

Com 35 pontos, o Bahia é o 10º colocado do Brasileirão. O Vitória soma 33 e ocupa o 15º lugar. Assim como o tricolor, o rubro-negro também entra em campo na quinta-feira (19), só que às 19h, contra o Atlético-PR, no Barradão.

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O último Ba-Vi de 2017 será disputado no domingo (22), às 16h, na Fonte Nova. Com Bahia e Vitória na luta contra o rebaixamento, o clássico válido pela 30ª rodada do Brasileirão ganha ainda mais importância. Mas antes de receber o maior rival, o tricolor tem um outro rubro-negro pela frente. O Bahia entra em campo quinta-feira (19), às 20h, contra o Flamengo, na Ilha do Urubu, e o técnico Paulo Cézar Carpegiani garante que está totalmente concentrado no confronto com a equipe carioca.

"Nem me passou pela cabeça. Sei que tem um clássico, mas a minha concentração está no Flamengo. Se eu me preocupar com o Vitória, vou esquecer do Flamengo. Tem a expectativa do torcedor, mas vamos pensar nisso a partir de sexta-feira. São os mesmos três pontos que teremos a disputar contra o Flamengo”, afirmou Carpegiani. A delegação viajou nesta quarta (18) para o Rio de Janeiro.

Mesmo tentando evitar o assunto, o técnico do Bahia demostrou acompanhar a evolução do time do Vitória após a chegada do colega Vagner Mancini à Toca do Leão. “Vi o Vitória jogar, jogou muito bem. Não quero entrar em detalhes disso, não compete a mim analisar outras equipes. Estou concentrado na minha. Mas vai ser um jogo igual. O que vai tornar diferente é a grande rivalidade, desde que não parta para outras coisas. Estava em um programa de televisão e disse que o Vitória não ia cair. No empate em 0x0 com o Cruzeiro (quando Mancini estreou, no dia 30 de julho), vi que mudou a cara do Vitória e tem muito mérito do Mancini”, elogiou.

Com 35 pontos, o Bahia é o 10º colocado do Brasileirão. O Vitória soma 33 e ocupa o 15º lugar. Assim como o tricolor, o rubro-negro também entra em campo na quinta-feira (19), só que às 19h, contra o Atlético-PR, no Barradão.

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O último Ba-Vi de 2017 será disputado no domingo (22), às 16h, na Fonte Nova. Com Bahia e Vitória na luta contra o rebaixamento, o clássico válido pela 30ª rodada do Brasileirão ganha ainda mais importância. Mas antes de receber o maior rival, o tricolor tem um outro rubro-negro pela frente. O Bahia entra em campo quinta-feira (19), às 20h, contra o Flamengo, na Ilha do Urubu, e o técnico Paulo Cézar Carpegiani garante que está totalmente concentrado no confronto com a equipe carioca.

"Nem me passou pela cabeça. Sei que tem um clássico, mas a minha concentração está no Flamengo. Se eu me preocupar com o Vitória, vou esquecer do Flamengo. Tem a expectativa do torcedor, mas vamos pensar nisso a partir de sexta-feira. São os mesmos três pontos que teremos a disputar contra o Flamengo”, afirmou Carpegiani. A delegação viajou nesta quarta (18) para o Rio de Janeiro.

Mesmo tentando evitar o assunto, o técnico do Bahia demostrou acompanhar a evolução do time do Vitória após a chegada do colega Vagner Mancini à Toca do Leão. “Vi o Vitória jogar, jogou muito bem. Não quero entrar em detalhes disso, não compete a mim analisar outras equipes. Estou concentrado na minha. Mas vai ser um jogo igual. O que vai tornar diferente é a grande rivalidade, desde que não parta para outras coisas. Estava em um programa de televisão e disse que o Vitória não ia cair. No empate em 0x0 com o Cruzeiro (quando Mancini estreou, no dia 30 de julho), vi que mudou a cara do Vitória e tem muito mérito do Mancini”, elogiou.

Com 35 pontos, o Bahia é o 10º colocado do Brasileirão. O Vitória soma 33 e ocupa o 15º lugar. Assim como o tricolor, o rubro-negro também entra em campo na quinta-feira (19), só que às 19h, contra o Atlético-PR, no Barradão.

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